domingo, 24 de maio de 2009

Genocídio


Abri meus olhos
E me deparei
Com a acidez da manhã.
Vontade de socar a cara do mundo.
Matar a vida
Com um tiro no coração.
O travesseiro ao lado,
Vazio,
Me diz que você não entendeu
Que amar
É dizer a verdade
Ou morrer de saudade.
Existe perdão para a traição,
Vício do corpo.
Também para a ofensa,
Defesa do orgulho.
Mas como perdoar a mentira,
Total desrespeito
Com quem se diz que ama?
A crua realidade
É que você jogou fora
Quem te deu um porto seguro,
Te amparou,
Te acolheu.
Por tudo isso, hoje eu te odeio
Porque odeio a mim mesmo.
Por ter acreditado,
Aberto meu coração,
Apostado na doçura da vida,
No amor da alma do mundo.
Na manhã solitária e ácida,
Após mais uma noite de dor,
Genocidarei tudo que é bom
Trucidarei de uma vez por todas o amor.

Parte integrante do livro ARCO-ÍRIS SOBRE CINZA
Biblioteca Nacional 463.856 Livro 873 Folha 77

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