quarta-feira, 27 de outubro de 2010

TRÁFICO HUMANO E ESCRAVIDÃO NOS DIAS DE HOJE



Até hoje não consigo entender porque a sociedade insiste em fechar os olhos para algumas questões gritantes. Uma delas é a questão do tráfico humano e a consequente escravização de suas vítimas. Durante as pesquisas para o livro A ESTRELA DE JEREMIAS, me confrontei com essa realidade por diversas vezes. Isso não é sonho, acontece mesmo, todo dia, toda hora e não é devidamente combatido pelos governos. Segundo o UNODC - Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes, esse tipo de tráfico é até negligenciado, perdendo para o combate às drogas. Ou seja, o tráfico de drogas tem mais importância do que o tráfico de gente, numa proporção de 10 a 20% de drogas interceptadas para 1% de pessoas resgatadas.
Quando fazia as pesquisas para o livro, assisti a filmes como Tráfico Humano (Human Trafficking), Filhos do Sol - filme brasileiro -, e encontrei referência até no filme Crash. No filme Tráfico Humano, fica claro que não interessa aos países ricos que esse tipo de comércio acabe porque eles são os receptores da mercadoria. Os países mais pobres fornecem os escravos, em sua maioria, mulheres e crianças, para escravidão sexual e remoção de órgãos (http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/trafico-humano-negligenciado-diz-onu). Quando a gente ouve ou vê alguma notícia de criança desaparecida, temos que nos alarmar, sim. O caso é gravíssimo como pude constatar acessando os relatórios da Senadora Patrícia Saboya na CPI da Pedofilia (patricia@senadora.gov.br), que caminha em paralelo com a escravidão e o tráfico humano. No Brasil também existe muito disso. Sito aqui, alguns trechos do Repórter Brasil (www.reporterbrasil.org.br):

Escravizados produziram coletes de recenseadores do IBGE
Vencedora da licitação dos 230 mil coletes deixou quase toda a produção (99,12%) para terceiros. Um deles, que não tinha nem registro básico, repassou parte da demanda para oficina que mantinha trabalho escravo.
Escravidão é encontrada em duas plantações de morango
Dezenas trabalhavam sem registro, sem acesso adequado à agua potável e sem instalação sanitária, em áreas de cultivo no Sul do Estado. Havia risco de intoxicação por agrotóxicos. Adolescentes foram flagrados em galpão.
Cortadores são libertados de condição análoga à escravidão
Relato de trabalhador durante operação de rotina desencadeou ação que libertou 33 pessoas. "Contratadas por consórcio de empregadores, vítimas enfrentavam situação precária e não tinham sequer a carteira assinada.
É imperativo que protestemos contra isso. Não é papel somente do governo, de qualquer governo. A sociedade tem que se manifestar. Omitir-se é ser cúmplice dessa vergonha.


imagem extraída de diaadia.pr.gov.br

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