domingo, 16 de janeiro de 2011

"LIBERTEM O RIO! LIBERTEM O RIO!"


Ao ver na TV as imagens da tragédia que atingiu a Região Serrana do Rio de Janeiro, me veio à mente uma das cenas mais marcantes do filme O SENHOR DOS ANÉIS – AS DUAS TORRES, na qual o Barbárvore, um ser divino, guardião das florestas, ordena aos seus que libertem o rio durante a fúria da Natureza contra o mais feroz e destruidor dos animais: o Homem. Quando a força da água vem arrasando tudo o que encontra pela frente, fica claro que contra tal poder, não há como reagir.  J.R.R. Tolkien finalizou o livro em 1949 e, naquela época, ele já profetizava alguns acontecimentos atuais. Os elementos da Natureza – o vento, a água, o fogo, a terra – vêm mostrando sua força de forma clara, mas o homem insiste em desmatar, queimar, ocupar, poluir, em suma, destruir.
Ocupar encostas e margens de rios é o mesmo que pedir que catástrofes aconteçam e tanto a população quanto o poder público, estão cientes do grande risco que se corre. Da parte dos governantes há a falta de planejamento, a falta de um programa de moradia adequado, a falta de fiscalização de áreas de risco, a falta de investimento em saneamento básico e contenção de encostas e a falta de medidas de prevenção. Aliás, no Brasil, não se trabalha a prevenção de nada. Já é de praxe remediar. Até porque, em caráter de urgência, em casos de calamidade pública, dá pra desviar mais verbas. É duro, mas é verdade. Por que não fizeram nada antes?
Em abril de 2010, após as chuvas que vitimaram mais de 200 pessoas no estado do Rio, em uma conversa com um oficial do CPOR - Centro de Preparação de Oficiais da Reserva -, eu perguntei a ele porque o exército não assumia o mapeamento e monitoramento da ocupação das encostas dos morros cariocas, já que possui pessoal treinado e equipamento pra isso. Relatei a ele o que eu vi quando subi ao topo dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira. Lá em cima, apesar da vista privilegiada, onde é área militar não há ocupação e quando há, é imediatamente coibida. A resposta dele à minha pergunta foi:
- Com certeza temos como fazer isso. A gente tai, só precisa que alguém nos convoque.
 A ABGE – Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental - também tem um projeto de mapeamento e monitoramento de ocupação de áreas de risco, a nível nacional, que custaria – PASMEM!!! – apenas 50 milhões de reais para montar um sistema que funcionaria de forma permanente, sendo necessária a sua manutenção. Algum governante se interessou? É claro que não!
Vocês viram quantas moscas de padaria vieram acompanhar nossa presidente para ver a tragédia de perto? Teatrinho de fantoches.
Falta coragem, falta vontade política e falta vergonha na cara! Do povo e do governo, porque não demora muito, vai acontecer de novo, em proporção maior. Choramos hoje, esquecemos amanhã. Nada de concreto será feito, apenas medidas paliativas e de maquiagem. Em Niterói, nada foi feito até agora. Os clarões marcados nos morros após os deslizamentos do ano passado continuam lá. A estrada continua esburacada e com as chuvas desse verão, tudo vai acontecer novamente. Os barracos estão sendo construídos nos mesmos lugares e ninguém fez nada. Até abril deste ano, é bem provável que tenhamos barracos despencando por sobre os carros que passam na RJ 104. Alguém duvida?  
É uma pena que Brasília não fique na Região Serrana do Rio, mais precisamente entre Teresópolis e Nova Friburgo. Mais de 600 vítimas... Fazendo um cálculo rápido, daria o Congresso Nacional e mais um pouquinho... Quem sabe o Palácio do Planalto...?  Minha esperança é que, se os elementos de terra e água ainda não puderam dizimar as pragas que assolam esse país, quem sabe o vento e fogo do cerrado na época das queimadas conseguem? É bem como disse uma das sobreviventes da tragédia:
            - A esperança é a última que morre...

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