sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Transmutante




Se eu não cantar hoje
Vou explodir.
Preciso expurgar
Tudo de ruim
Que me sufoca.
Preciso estrangular
O que me estrangula:
A revolta,
O tédio,
A mágoa.
Cada agudo é um tiro mortal,
Desfigurante,
No meio das caras hipócritas.
Espasmo alucinante,
Transmutante.
Canto pra extravasar,
Pular,
Dançar.
Canto pra conter
Minha fúria,
Um surto,
Contra a boçalidade do mundo.
Canto pra não deixar acontecer
A carnificina que quero fazer.

Parte integrante do livro ARCO-ÍRIS SOBRE CINZA
Biblioteca Nacional 463.856 Livro 873 Folha 77


imagem extraída do Google

Um comentário:

paulonascimento disse...

Minha prima, a melhor escolha nessa hora é cantar para não se igualar aos boçais, e extinguir o mal interior. Parabéns pelo belo texto. Um beijo