domingo, 14 de outubro de 2012

A Banalização da violência na família e na escola


Um dia eu vi dois adolescentes jogando na casa de uma amiga minha e fiquei horrorizada. O tal jogo dava mais pontos para quem atirasse em um policial, roubasse e atropelasse quem estava nas ruas. E quem conseguisse fugir da polícia também era bonificado. Em que tipo de mundo estamos vivendo já que a moda agora é esquartejar, degolar? E o pior é que isso não choca mais as pessoas. Virou rotina, coisa normal. Muito em breve, o normal pode passar a ser visto como certo, quando não deveria ser. Nem tudo o que é normal está correto apenas porque acontece com frequência.
E nós, pais, acabamos permitindo que a violência tome conta das mentes de nossos filhos. A sociedade em geral tem feito isto. Quando a maioria das crianças de uma classe escolar, na faixa dos 9 e 10 anos escolhem um filme sangrento para ver, em detrimento de um outro, mais apropriado para a sua idade, algo está errado. Quando crianças levam para a escola filmes e jogos piratas, com a permissão dos pais, algo está errado. Quando educadores permitem que um filme carregado de violência seja exibido em sala de aula para crianças que ainda não deveriam estar vendo este tipo de filme, algo está errado. E quando os poucos pais que reclamam o direito de seu filho não vivenciar precocemente este tipo de violência, tentando mantê-lo preservado até quando estiver mais preparado para entender o que lhe for mostrado são vistos como os errados da estória, algo está, definitivamente e irremediavelmente, errado.
Nem a família, nem a escola estão cumprindo seu papel. E o papel da criança, que deveria ser apenas criança, sem ter sua infância golpeada por nossa negligência, está se perdendo junto com nosso bom senso. Nós adultos, estamos tratando nossas crianças como se fossem reflexos de nós. Meninas maquiadas e vestidas como mulheres. E meninos que xingam o tempo todo e que são obrigados a serem espertos. Estamos todos na moda... do fim do mundo. Aonde foi parar nossa sabedoria? Foi para isso que tivemos filhos, para transformá-los em bichos, ávidos por sangue? Ainda estou sem conseguir dormir direito, pensando no nosso triste futuro, e na frase que não consigo tirar da cabeça: “O filme não tinha nada demais, só sangue...”

Nenhum comentário: