terça-feira, 18 de dezembro de 2012

UM CONTO PARA O FIM DO MUNDO


Bom, segundo o povo anda dizendo que os Maias disseram, o mundo acaba na próxima sexta-feira - tinha que ser na sexta, né...? Em homenagem ao fim do mundo - do jeito que a  coisa tá é melhor que acabe mesmo -, escrevi o conto O Último dia de João e Maria,  no qual a mocinha, toda certinha, chuta o balde quando descobre que o mundo vai acabar. Como esse conto tem 5 páginas, postei uma parte aqui, mas ele pode ser lido na íntegra no link:






"Na rua, Zezé levou as mãos à cabeça. Caminhou alheia ao que acontecia ao seu redor. Era o fim de tudo, tudo mesmo. Não haveria nem como recomeçar. Seus sonhos, tudo destruído.  Havia se dedicado integralmente a uma pessoa que jamais a amara. Agora tinha a certeza. Não era só o mundo que estava ruindo. A vida dela acabara de ruir totalmente. Zezé não conseguia mais segurar as lágrimas. Foi caminhando e chorando, sem rumo. Por que o mundo não acabava de uma vez, ali, agora? De que adiantava prolongar o sofrimento? Ela não teria filhos, não se casaria, e nem viveria um grande amor, ou pelo menos, um amor com quem a amasse de verdade. Sentou no chão e chorou mais ainda e o mundo não acabava. Gritou a plenos pulmões:
-        ACABA  LOGO, MUNDO! - Sentiu-se um pouco aliviada por ter gritado.
-        Ainda não deu tempo do asteróide chegar  – ela se virou na direção da voz.
            - Não me olha assim. É verdade, ele só vai chegar amanhã – Zezé reconheceu o rapaz. Ergueu-se e foi até ele.
-        Você não é o meu vizinho?
            - Eu mesmo – ele largou o pé-de-cabra e estendeu a mão para ela. - Johnny Crew ao seu dispor – Zezé apertou a mão dele.
-        Pelo que sei seu nome é João.
-        Johnny Crew é muito mais interessante do que João. E é o nome da minha crew.
-        Crew...?
            - É. Um grupo que sai por aí pra fazer grafite, tá ligada? - Zezé abriu a boca e fez cara de que havia entendido.
-        E o que você tá fazendo agora com esse pé-de-cabra?
            - Tentando arrombar a porta dessa loja. Já que o mundo vai acabar, eu vou pegar umas tintas e fazer com que ele fique mais colorido antes de acabar. E você, o que tava fazendo ali sentada? Tá com cara de que chorou – ele passou delicadamente o dedo indicador sob os olhos dela. Ela lembrava agora que tremia como gelatina quando passava perto do rapaz e que sempre quis saber se aquela boca linda beijava bem.
            - É. Acho que o meu mundo desmoronou de uma hora pra outra – ele percebeu a tristeza no olhar dela. Tentando alegrá-la, ele perguntou:"

Imagem extraída do Google.


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