terça-feira, 1 de janeiro de 2013

MINHA MÃE, MINHA HEROÍNA


Desde que eu era criança, minha mãe, dona Helena, já era a minha heroína. Uma vez, manejando o revólver 22 do meu pai, ela botou um tarado pra correr. E nós, eu e minhas irmãs, aprendemos com ela que não era preciso arma de fogo para evitar que um homem batesse em uma mulher. Ela insuflava todas as mulheres do bairro. Os maridos não sabiam o que estava acontecendo, mas o fato era que as lições da dona Helena estavam fazendo efeito e elas não queriam apanhar mais. E para as filhas, dona Helena sempre falou:
"Jamais deixem um homem encostar a mão em vocês!"

E assim tem sido. Ela mesma, recém casada ainda, viu quando meu pai mostrou seu lado machista e disse que ela precisava levar uma surra. Pra quê?! A faca ficou cravada na parede e os pratos, panelas e utensílios  da casa voaram atrás dele, enquanto ele corria. Hoje, mais uma vez, a heroína surgiu para me defender, quando um desses homens de mentalidade ultrapassada tentou me agredir. Ela veio em minha defesa, como a leoa que sempre foi e que nos ensinou a ser. Sempre fui muito doente e não fosse por ela, eu hoje não estaria aqui. Foi ela quem nos ensinou a viver com coragem e independência. Amo você, minha mãe, e hoje, mais que nunca, te admiro. Para você a nossa música:



"Onde estiver, estou!"

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