quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Blog de Matemática e Sistemas de Informação


Gostei muito deste Blog e recomendo. É para resolver problemas de Matemática e de Sistemas de Informação. É do professor Anderson de Assis Barros. Para estudantes, é uma mão na roda. Sigam lá. 

https://andersondeassisbarros.wordpress.com/

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 10


por Lucia Andrade


Willy olhava perdido pela janela do hotel. Pensava em sua mãe e irmã. Mesmo tendo deixado Juancho encarregado de tomar conta da casa e das duas, Willy se preocupava. Temia que Ricky decidisse voltar ou que aprontasse alguma. Ele olhou para a porta que interligava seu quarto ao de Hortensia e respirou fundo. Lembrou de quando se despediu de Moncho.
- Willy! Tem certeza de que é isso o que vai fazer?
- Já estou fazendo, Monchito. Não tenho outra saída e não quero ficar aqui. Quero ir para longe de Lucía, de Ricky, de tudo…
- Mas vai cair nos braços de Hortensia, Willy! O que você mais queria era fugir das garras dela e agora… vai se envolver com ela, de novo. E se ela depois te cobrar esse - Moncho ergueu os dedos como se fossem aspas - favor?
- Não me importo. Não me importo com mais nada. A bem da verdade, eu deixei de cumprir o trato que fiz com ela. Quando eu o fiz, achei que poderia dar um jeito, como sempre… Então, eu realmente tenho uma dívida com ela e vou ter que pagar - Moncho, inconformado, balançou a cabeça.
- Willy, você tá brincando com fogo… - Willy colocou a mão no ombro do amigo.
- Não, Moncho, o tempo da brincadeira acabou, não existe mais… pior do que está não dá para ficar.


Uma batida na porta o fez despertar de suas lembranças. Era Hortensia. Willy foi até lá e abriu a porta. Hortensia entrou.
- E então, gostou do quarto? - Willy esboçou um sorriso. - Amanhã, pela manhã, iremos ver o cirurgião que cuidará do seu caso. Ele está acostumado a casos como o seu e acredito piamente que o resultado será bem satisfatório. Ele é muito respeitado no meio da cirurgia plástica.
- Melhor do que está, com certeza vai ficar, né…? - Hortensia percebeu a tristeza na voz de Willy.
- Sei que agora você está se sentindo perdido, mas, em breve, tudo voltará a ser como antes. - Lembrando das palavras de Moncho, Willy foi direto com Hortensia:
- Hortensia, o que você espera de mim? Ou melhor, você quer que eu tenha meu rosto como antes para poder cumprir com nosso acordo, não é?
- Não vou negar que gostaria muito que você fosse meu companheiro. Como já disse antes, a sua alegria e juventude me contagiaram. E eu tenho algo para te dizer que não poderia ser dito lá no México - Willy olhou para os lados.
- Então, toda aquela conversa de que queria me ajudar, era mentira… Você, como quase todas as mulheres, só me quer para te satisfazer…
- Está equivocado, Willy. Eu realmente quero te ajudar, porque me apaixonei por você, mas… mas também porque me sinto culpada pelo que te aconteceu - Willy a encarou.
- O que você tem a ver com isso?
- Calma! Não é o que você está pensando. Eu não ordenei que fizessem isso com você, se é o que está pensando. Mas indiretamente eu posso sim, ter alguma participação - Willy não se conteve e a segurou pelos ombros.
- Chega de rodeios, Hortensia! Fala logo!
- No dia do aniversário da Beba, depois que eu soube que vocês estavam juntos, eu… eu fiquei com ciúmes e… eu liguei depois para o filho dela e contei sobre vocês dois… - ela se desvencilhou de Willy.
- Então foi por isso que ele me sequestrou e me deu aquela surra.
- Eu não imaginei que ele faria algo assim. Eu só queria que ele impedisse a Beba de ver você! Jamais passou algo assim pela minha mente, eu lhe juro!
- Jorge já vinha me perseguindo há tempos. Já tinha mandado os capangas dele me espancarem uma outra vez. Foi nesse dia que conheci Lucía - a lembrança daquele dia fez com que Willy ficasse ainda mais triste. Hortensia também percebeu.
- Entendeu agora porque eu quero te ajudar?
- Então não é mesmo por conta do acordo que fiquei te devendo…?
- Isso é uma outra coisa que preciso te contar… - Willy abriu os braços, irritado.
- Ainda tem mais, Hortensia?
- Tem, Willy. Você, na verdade, não me deve mais nada. Fui eu que pedi a Ricky para roubar o dinheiro da rifa.
- O quê?! Desde quando você e Ricky se conhecem?!
- Eu o conheci na sua casa, quando você e Tuqueque voltaram do hospital. Depois eu o reencontrei por intermédio de Jorge, filho de Beba. Ricky foi à minha casa levar uma encomenda de Jorge. Foi aí que eu soube dos - ela fez um gesto circular com a mão direita - trabalhos que ele fazia para Jorge - Willy fechou os olhos e balançou a cabeça, não acreditando no que acabara de ouvir. Hortensia segurou o braço dele.
- Eu não queria te perder! Se você me pagasse o dinheiro, eu perderia você para sempre...  - Willy puxou o braço e se afastou dela.
- E porque tá me contando tudo isso agora, aqui?!
- Para que tenha a certeza de que eu não vou te pedir nada em troca. Eu te devo isso e você não me deve mais nada. Se eu te contasse lá, no México, você não viria. Mas agora você já está aqui, com a consulta marcada e… mesmo que você me odeie daqui por diante, eu vou poder consertar, pelo menos em parte, qualquer dano que eu lhe tiver causado - ela foi até ele e novamente segurou seu braço. - Por favor, Willy, deixa eu tentar me redimir… por favor… - novamente ele se afastou dela e sentou na beirada da cama.
- Me deixa sozinho, Hortensia. Vai embora.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 9


por Lucia Andrade

A briga com Ricky serviu para que ele fosse embora, mas em compensação, Lala agora viva calada, o que fez o clima na casa azedar de vez. Willy chegara ao ponto de não suportar mais a si mesmo dentro daquele quarto. O único que conseguia quebrar a barreira era Moncho e somente ele.
- O que é que tem, Willy? Ele quer te ver.
- Eu sei, Moncho. Mas eu não quero que ele me veja assim.
- Tá bom, tá bom. Faz do jeito que você quiser, eu não vou insistir. Você quer ficar enfurnado nesse quarto, faça como quiser, mas quando Tuqueque não lembrar mais de você, não reclama - Moncho saiu batendo a porta. Willy sabia que ele estava certo. Uma hora não teria mais como evitar o mundo e os olhares de pena e curiosidade das pessoas. Ele fechou os olhos. Onde conseguir coragem para erguer a cabeça e seguir em frente? Ele não tinha respostas e realmente vinha se afastando de todos, inclusive dos que o amavam. Não recebia ninguém além de Moncho, Lala e às vezes Bárbara. Nem Juancho, nem a Tropa e nem Tuqueque. Havia dias em que uma saudade absurda de Lucía tomava conta dele e a ela ele queria ver, mas, jurara para si mesmo que nunca mais chegaria perto dela. No momento em que ele recordava o último encontro com ela, Moncho bateu na porta. Willy abriu e Moncho entrou.
- Tem uma pessoa lá fora que quer te ver… - Antes que Moncho concluísse a frase, Hortensia irrompeu quarto adentro. Willy logo virou o rosto.
- O que quer aqui, Hortensia? Eu não tenho como cumprir nosso acordo.
- Não vim cobrar o acordo, quero conversar com você - ela olhou para Moncho - em particular. E desta vez ninguém vai me impedir - Hortensia se referia ao dia em que foi ao hospital ver Willy e Moncho a impediu de entrar.
- Willy…? - Ele acenou afirmativamente para Moncho, que saiu do quarto. Depois que ele saiu, Hortensia passou a mão pelo rosto de Willy.
- Seu lindo rosto… Willy se desvencilhou e virou o rosto para o outro lado. Hortensia insistiu. - Não precisa fugir. Eu vim como amiga. Não quero cobrar nosso acordo, quero ajudar você e você sabe que eu posso fazer isso - Willy olhou para ela.
- E eu terei que te dar minha alma desta vez?
- Não terá que me dar nada. Naquela noite, depois que eu vi que você não apareceria, eu vim aqui. Não encontrei ninguém. Fiquei muito brava. No dia seguinte eu voltei e a sua vizinha me contou por alto o que tinha acontecido. Eu tentei ver você no hospital, mas não consegui. Queria muito ajudar. Esse tempo de espera foi angustiante, Willy, mas foi bom para eu repensar as minhas atitudes com você. Eu errei. E não só uma vez, mas várias. Eu tentei forçar uma situação que da sua parte não existia, nunca existiu. Mas imaginar você em uma cama de hospital com o rosto golpeado e não poder fazer nada, me fez parar e pensar. Antes de você entrar na minha vida, eu não lembrava o que era sentir saudade de alguém. Eu estava amarga, como dizia a Beba. E ela estava certa. Você me devolveu a vontade de viver, me fez voltar a sorrir. Você conseguiu quebrar minha couraça, Willy. E eu me dei conta que eu sinto a sua falta e que só estarei bem se você estiver. Por favor, Willy, me deixe te ajudar. Não me negue a chance de me redimir dos meus erros com você - Hortensia falou sem pausa, porém de forma convincente. Willy surpreso, ficou desarmado. Ele esperava o jeito arrogante e ofensivo dela e o que viu foi uma Hortensia humilde e aparentemente sincera.
- Eu não sei, Hortensia. Minha vida está de pernas pro ar. Eu tô me sentindo perdido. Sei que fiz um acordo, mas tenho certeza que você… - Hortensia não o deixou completar a frase. Colocando sua mão sobre a dele, ela pediu:
- Esqueça esse acordo, Willy. Eu quero te ajudar e lhe prometo, não vou pedir absolutamente nada em troca - ela retirou um cartão da bolsa. - Eu consegui o contato de um cirurgião plástico de Los Angeles que é especialista em casos como o seu - Willy olhou para ela desconfiado.
- Los Angeles…? Nós dois…? - Hortensia balançou a cabeça negativamente.
- Willy, estou te oferendo uma oportunidade única. E lhe dou a minha palavra de que não tentarei nada. Estarei ao seu lado apenas para providenciar o que for preciso - vendo a desconfiança no olhar dele, Hortensia insistiu. - Willy, olhe para você, trancado neste quarto, isolado, você não é assim. Cadê o Willy sorridente que me arrancou sorrisos? - Ela se levantou e foi em direção a porta.
- Eu estou lhe estendendo a mão e se eu fosse você eu pegaria. É a sua melhor chance de ter sua vida de volta - poder ter sua vida de volta… era exatamente o que Willy queria. Em um segundo ele decidiu.
- Hortensia, espera! Eu aceito, eu vou com você.

sábado, 31 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 8


por Lucia Andrade


Willy estava a ponto de explodir com Ricky circulando pela casa. Mesmo quase não saindo do quarto, era insuportável saber que ele estava lá depois de tudo o que fizera. Era uma afronta pessoal que chegava a provocar dores estomacais em Willy.
- O que pretende fazer? - Perguntou Moncho, vendo a aflição de Willy.
- Se eu pudesse eu sumiria daqui. Eu daria qualquer coisa para ir para bem longe. Das duas, uma: ou ele aprontou e está fugindo de alguém ou da polícia, ou ele quer alguma coisa.
- Mas o que ele poderia querer?
- Nãos sei… Talvez alguma informação. Ricky não dá ponto sem nó - Willy passou as mãos pelos cabelos nervosamente. - Vamos mudar de assunto senão eu vou enlouquecer. Tem certeza que quer me devolver o Willy Móvil?
- Disso não tenho dúvidas. Nada mais justo depois do que você fez por nós todos. Eu nunca vou poder te pagar. E isso já está decidido.
- Obrigado, Monchito. Pelo menos a alegria de saber que ainda tenho meu carrinho… Minha vontade é entrar nele e pegar a estrada.
- E porque não faz isso? - Willy suspirou fundo.
- Com que dinheiro? Além disso, eu sei que Ricky vai aprontar alguma. Sabe Moncho, nunca na minha vida toda eu me vi tão sem saída como agora. Antes eu sempre dava um jeito em tudo - Moncho tentou animar o amigo.
- Ainda pode, Willy. A situação não tá tão ruim como você pensa. As pessoas gostam de você e vão continuar gostando. Não é só a aparência que conta - Willy foi para a frente do espelho.
- Eu sei Monchito, mas eu não quero que me olhem com piedade e eu sei que vai ser assim.
- Olha, depois que passar os três meses que o médico mandou você ficar sem fazer esforço ou pegar peso, como você fazia antes, você pode ir no ginásio e ver a reação das pessoas. De repente nem vai ser tão ruim assim como você pensa.
- É… Pode ser… - Willy se perdeu em seus pensamentos.

Quando Moncho estava indo embora, Ricky vinha chegando. Com sua forma debochada, ele zombou de Moncho:
- E aí, Moncho, como vai o meu filhinho? - Antes que Moncho esboçasse uma reação, Willy já tinha acertado um soco em Ricky.
- Cala a tua boca! Você não tem direito algum de chamá-lo assim! - Ricky retribuiu o soco. Mas Willy colocou para fora toda a sua raiva. Acertou o rosto do irmão até vê-lo sangrar e só parou porque Moncho o segurou.
- Willy, para! Você não pode receber pancadas no rosto, o médico falou. Para! - Willy urrou de raiva. Depois, sem conseguir conter-se, pegou Ricky pela camisa.
- O que você quer aqui? Veio buscar alguma informação pro seu patrão? - Como Ricky não respondeu, Willy o acertou nas costelas.
- Fala!
- Abre teu olho irmãozinho, porque Jorge Solis quer saber se a ricaça da mãe dele anda vindo aqui te visitar. E é bom que ela não venha porque desta vez, ele vai te arrumar um paletó de madeira - Willy, tentando manter o controle, fechou os olhos e respirou fundo.
- Não me chama mais de irmão porque irmão não faz com outro o que você fez comigo. Arruma tua trouxa e vai embora daqui. Eu posso ir na polícia a qualquer momento e dizer quem foi que fez o estrago na minha cara - mesmo com o rosto sangrando, Ricky debochou de Willy..
- Eu sei que você não vai falar nada por causa da Jefa. Você tem o coração mais mole que manteiga - Willy soltou outro urro de raiva e no momento exato em que ia socar o rosto de Ricky novamente, Lala entrou em casa.
- O que passa aqui?! - Ela se colocou entre os dois. - Respeitem a nossa casa, vocês são irmãos! - Willy soltou Ricky. Lala olhou para os dois. - Por que estão brigando? - Willy olhou sério para Ricky e apontou o dedo indicador para ele. Depois, inconformado, foi para o quarto. Lala olhou para Moncho, que imediatamente se retirou. Ricky, também sem falar nada, foi para o banheiro lavar o rosto ensanguentado.
No quarto, sentado na cama, Willy limpava o rosto e pensava em como sair daquela situação sufocante. Lembrou de quando disse a Deus que ele poderia mandar qualquer prova que ele aceitaria em troca de ter Lucía.

Happy Willy Boy de Daniel Arenas



Porque Willy Boy é um personagem super pra cima, muito feliz e eu diria que é O PERSONAGEM de Daniel Arenas. Queria muito fazer esse vídeo e aí está.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 7


por Lucia Andrade

Um certo pânico havia tomado conta de Willy depois do que acontecera. Até então, ele conseguira, apesar de não ser mais um jovem inocente, manter a pureza de seus sentimentos. O mundo, na sua visão, era um lugar bonito de se viver, até aquela noite. No momento em que seu irmão o golpeou com a navalha, foi como se toda a bondade do mundo se tivesse quebrado. E isso o chocou  O seu espírito brincalhão jamais conceberia algo assim. E os pesadelos se tornaram constantes. A simples menção do nome de Ricky o perturbava ao ponto de ele passar a trancar o quarto. E foi assim, com o quarto trancado, que ele ouviu sua mãe o chamar. Mal acreditou quando a ouviu dizer que Lucía queria vê-lo.
- Eu não quero ver ninguém!
- William Guillhermo! Não seja mau educado! - Willy não respondeu. Uma mágoa profunda o  dominava quando o assunto era Lucía. Quantas vezes ele tentou explicar tudo a ela? As palavras dela, agora martelavam ainda mais em sua mente. Revoltado, Willy saiu do quarto e foi até a sala.
- Você quer mesmo me ver?! - Ele parou exatamente em frente a ela. Lucía, vendo as cicatrizes no rosto dele, não conseguiu conter as lágrimas. Willy continuou, de forma dura.
- Vê?! - Ele apontou para o próprio rosto. - Agora eu sou um ser desprezível, por dentro e por fora. Sou um monstro completo. Lembra quando disse para eu não chegar perto de você porque te dava asco? - Lucía não conseguia falar. Lala também chorava. - Então o que faz aqui? Veio rir de mim?! Veio dizer que foi castigo de Deus?! - Ele balançou a cabeça. - Foi, foi castigo de Deus, eu sei. Como um pecador podia desejar uma santa criatura como você? Pois continue no seu caminho porque agora eu tenho certeza de que eu nunca fiz parte dele. E sabe qual foi o meu erro? Foi amar você. Amar da forma mais pura que alguém pode amar. Hoje eu sei que você tem amor e bondade pra todo mundo, menos pra mim. O seu perdão é pra todo mundo, menos pra mim. Até Deus, se viesse à Terra, seria capaz de me perdoar, menos você. Pois eu também não te perdoo. Eu nunca vou esquecer as suas palavras.- Ele colocou a mão em forma de concha perto do ouvido. - Elas estão aqui, martelando, me lembrando que você nunca me amou. Eu não preciso da sua caridade cristã e nem da sua piedade. Agora eu me olho no espelho e vejo o que eu realmente sou, sem ilusão. Vai embora e não volta nunca mais! - Willy deu as costas a ela e voltou para o quarto. Lucía se apoiou na cadeira, aos prantos. Lala, apesar de querer confortá-la entendia toda a dor do filho. Willy já não era mais o mesmo.


Depois do encontro com Lucía, Willy se fechou ainda mais. Estava há mais de um mês sem sair de casa. Seu rosto assumira uma frieza absurda. Estava cada vez mais monossilábico. Lala, tentando tornar as coisas mais fáceis para ele, colocou a TV da sala no quarto para que ele não ficasse tão isolado, mas ele quase não via. Um dia, pela manhã, quando saiu para escovar os dentes, ouviu uma voz que o fez tremer de ódio. Foi até a sala.
- E então, irmãozinho…? - Ricky, com a cara mais lavada do mundo, sorria para ele. Willy teve ímpetos de voar no pescoço dele, mas ele pensou em Lala. Ela não sabia de nada. Com ódiio no olhar, Willy perguntou:
- O que faz aqui?
- Vim visitar vocês. Soube o que aconteceu e como você não tá trabalhando, vim saber da Jefa se tão precisando de alguma ajuda - o rosto de Willy ficou vermelho de raiva. Num esforço supremo, ele se controlava.
- Não precisamos de nada. Eu estou de licença médica e continuo mantendo a casa. Pode voltar pelo mesmo caminho que veio - Lala, surpresa com a reação de Willy, o repreendeu.
- Willy! Ele é seu irmão - Willy olhou dentro dos olhos de Ricky.
- Eu sei muito bem disso. E sei também que ele só aparece quando quer alguma coisa - Lala olhou para Ricky.
- Está precisando de algo, filho? - Com um sorriso cínico no rosto, Ricky respondeu.
- Eu tava pensando em ficar aqui uns dias. A grana tá curta e… - ele nem precisou terminar de falar para Lala concordar.
- Claro, pode ficar aqui - Willy fechou os olhos. Estava a ponto de explodir de tanta raiva, mas não podia falar nada para a mãe.
- No meu quarto não vai ficar. Não quero ninguém lá - percebendo que não conseguiria conter-se mais, foi para o quarto e se trancou.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Às Vezes não caibo em mim


Mais um para Daniel Arenas.

Licença Creative Commons

Às Vezes não caibo em mim


Às vezes não caibo em mim.
Não sou matéria,
Sou sentimentos.
Uma torrente deles,
Que me invadem,
Que me fogem,
E que explodem
Em alegria, dor, amor...
Então, às vezes não caibo em mim.

domingo, 25 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - parte 6


por Lucia Andrade


Se antes Willy era a criatura mais extrovertida do mundo, agora ele vivia no mais absoluto isolamento. Quase não saía do quarto e até as refeições eram feitas lá. De início, quando ele se recusou a sair, Lala brigou com ele, mas depois, vendo que ele ficaria com fome mas não sairia, ela não reclamou mais. E Moncho, o fiel escudeiro, tentou convencê-lo.
- O que te custa, Willy…? Doña Lala não tem culpa do que aconteceu e desse jeito você a está punindo.
- Não é punição, Moncho. Eu só não quero ter que olhar no rosto dela e ver os olhos dela cheios de lágrimas toda vez que olha pra mim. E Bárbara? Ela nem sabe o que dizer… Então eu prefiro ficar aqui.
- Willy, você não vai poder ficar aqui o resto da vida. Cadê aquele Willy que saía para correr, que ia pra quadra jogar basquete com os compas?
- Eu nunca mais vou pisar naquela quadra - Moncho se arrependeu de ter tocado no assunto.
- Uma hora você vai ter que sair, voltar a trabalhar, voltar a viver…
- Voltar a trabalhar como? Só se for para afugentar os clientes.
- Também não é assim. As pessoas gostam de você, vão estranhar no início, mas depois vão aceitar e entender.
- O que eu não suporto são os olhares, como se eu fosse um monstro - Moncho tentou fazê-lo sorrir. Deu um tapinha no ombro de Willy.
- Que olhares se você não sai pra lugar algum? Garanto que a mulherada ia amar essa sua nova cara de mau - nesse momento, a campainha tocou. Moncho saiu para atender porque Lala saíra para ver uns trabalhos de costura. Pouco tempo depois ele voltou acompanhado de Beba, que irrompeu quarto adentro. Quando ela viu o rosto de Willy, caiu de joelhos ao chão, chorando.
- Então ele fez… Jorge fez… Foi meu filho, não foi? Foi Jorge que fez isso? - Willy a segurou pelos braços e a ergueu.
- Beba, eu tô bem. Vai ficar tudo bem - Beba o abraçou apertado.
- Eu sinto muito, Willy. Eu achei que ele não teria coragem - Willy se afastou e olhou para ela.
- Beba, Beba, se acalma, eu tô bem.
- Você falou para a polícia?
- Não. Eu não tenho como provar e… tem você. Mesmo que eu tivesse como, eu não faria, por você - Beba o abraçou e chorou ainda mais. Depois de alguns minutos, mais calma, Beba falou:
- Eu vou te ajudar. A gente vai ver um cirurgião plástico, eu pago tudo. Lá fora, se for preciso. Eu não vou deixar você assim - Willy se afastou dela e sentou na cama.
- Eu não posso aceitar. A gente não vai mais poder se ver. Seu filho ameaçou a minha família e agora eu não tenho mais dúvidas de que ele é capaz de cumprir com as ameaças.
- Ele não precisa saber. Eu deposito o dinheiro na sua conta e dou um jeito de descobrir o melhor cirurgião plástico que existe - Willy balançou a cabeça.
- Não Beba. Depois do que aconteceu eu não vou correr o risco. Você tem que se afastar de mim, por favor. Eu gosto muito de você, te agradeço a oferta, mas, minha mãe e minha irmã são tudo o que eu tenho - Beba, percebendo que Willy tinha razão, que Jorge realmente seria capaz de fazer isso, acatou. Ela pôs a mão no rosto de Willy.
- Do fundo do meu coração, eu sinto muito e o que você precisar - ela olhou para Moncho que estava parado na porta do quarto -, basta dizer que eu dou um jeito.


Moncho voltou ao quarto depois de levá-la até a porta.
- Por que não aceita a ajuda dela? Se fizermos direito o filho dela não vai saber.
- Ele vai, Moncho. O que eu vou te dizer é uma coisa que você nunca vai poder contar pra ninguém. Ninguém, entendeu?! - Moncho balançou a cabeça afirmativamente.
- Foi Ricky quem fez o serviço para o filho de Beba - Moncho esbugalhou os olhos abismado.
- NÃO! Você não tá falando sério…
- Infelizmente tô, Monchito. Foi meu próprio irmão que fez o serviço sujo. E de alguma forma, ele passa tudo para Jorge. Então não, eu não vou correr o risco.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 5


por Lucia Andrade


Na mesma semana, Willy recebera alta e já estava em casa. Não tinha mais febre, o inchaço diminuíra e os pontos seriam tirados na semana seguinte ou depois. As cicatrizes ficariam, no corpo e na alma. Sentado na cama em seu quarto, em nada ele lembrava o Willy sorridente e brincalhão de sempre. O único a quem ele parecia ainda ouvir era Moncho, e este não saía do seu lado.
- Tá precisando de alguma coisa?
- Um buraco bem fundo, pra que eu possa me enterrar nele. - Moncho sabia que se Willy dizia aquilo é porque realmente o sentia.
- Não diga isso. Logo as cicatrizes vão diminuir. O médico disse a Lala que de tempos em tempos eles fazem mutirões de cirurgias plásticas e inscreveu seu nome. Quando tiver, você será chamado.Tudo vai voltar ao que era, Willy. - Willy baixou o rosto.
- Não, não vai, Moncho. Nunca mais nada vai ser como antes. Eu não sou mais o que era antes. Eu morri naquela noite. - Moncho sentiu um frio na espinha. O Willy que ele conhecia a vida toda, nunca falaria daquela forma. Tentou tocar em seu ponto fraco.
- Veja pelo lado bom, Lucía foi te ver várias vezes no hospital. Fui eu que não a deixei entrar, como você pediu. Mas ela quer te ver. - Willy soltou uma risada de deboche.
- Agora ela quer me ver… Lucía foi a minha perdição, Moncho. Tudo deu errado desde que eu a conheci. Eu desafiei Deus e olha o castigo que ele me deu - Willy apontou para o próprio rosto. - Ela tem razão, eu fui, sou e sempre serei um ser desprezível. Agora mais ainda porque eu tenho ódio aqui dentro - ele tocou no peito. - Moncho o interrompeu e começou a lembrar das coisas boas que o amigo havia feito.
- Não, não mesmo… Você doou seu rim para salvar Tuqueque. Pagou quase todo o tratamento dele e ainda…
- Eu me vendi, Moncho. Eu transava por dinheiro, pode dizer. Agora eu tô pagando o preço e te digo, tá sendo muito, muito alto. - ele suspirou fundo. - Me deixa sozinho, por favor.
Moncho se dirigiu à porta, preocupado com o amigo.
- Mais tarde eu volto, caso você precise de alguma coisa.
- Tá bom, Monchito - todas as vezes que Willy ficava sozinho, ele lembrava daquela noite. A navalha fria em seu rosto, o cheiro do sangue, o rosto de Ricky. Quantas vezes tinha ido visitar o irmão na cadeia? Jamais tinha esquecido uma data sequer, Natal, aniversário… Por quê? De Jorge ele esperaria isto, mas de Ricky…? E desde quando Ricky e Jorge se conheciam? Será que Beba já saberia de tudo? Como ela estaria? Sua mente girava e girava em mil pensamentos, quase todos ruins até que parou em Lucía. Ela era sua maior mágoa. Se naquele dia ela o tivesse escutado, talvez nada daquilo tivesse acontecido. Talvez eles dois tivessem uma chance de serem felizes. Se exasperou consigo mesmo e jogou o travesseiro longe.
- Ah! Talvez, talvez, Willy… Agora não tem talvez! Acabou! Tá tudo acabado! Você tá acabado! - Ele foi até o espelho. As três enormes cicatrizes tomavam conta do seu rosto. Falou para o espelho:
- Esse é você agora, Willy Boy. Esse é o seu eu verdadeiro, marcado, desfigurado e sozinho.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - parte 4


por Lucia Andrade


Willy abriu os olhos lentamente. Por um breve momento de semiconsciência achou que tudo estivesse como sempre foi, porém, no momento seguinte, sentiu a navalha novamente em seu rosto. Instintivamente levou a mão à face. Sentiu alguma coisa grossa protegendo seu rosto, sentiu também a dor. Uma mão puxou seu braço. Willy olhou para o lado e viu Lala. Desviou o olhar do olhar dela.
- Como se sente, filho? - Ela não conseguiu conter as lágrimas. Willy se esforçou para conter as dele.
- Então não foi um pesadelo…? - Lala balançou a cabeça negativamente, mas não conseguiu falar. O silêncio de ambos parecia esmagá-los. Lala tentou falar, mas a voz não saiu. Ela levantou e abriu a boca como se sufocasse. Moncho entrou no quarto. A mãe de Willy, tentando conter o choro, fez sinal de que precisava sair. Moncho assentiu com a cabeça.
- Willy… Quem fez isso…? - A voz de Moncho quase não saía. Willy pensou em Lala. Se ele falasse a verdade, Ricky voltaria para a cadeia e sua mãe teria o coração destruído. Seria desgosto demais.
- Eu não consegui ver os rostos, eles usavam máscaras - Willy falava com certa dificuldade. - O que é isso apertando meu rosto?
- É uma máscara de compressão. Os médicos colocaram por cima dos curativos e ataduras. Tá apertando muito? - Willy fechou os olhos.
- Como me acharam na quadra?
- Você mesmo veio andando. Dona Lala pediu pra eu te procurar porque você tinha saído cedo e não voltou mais… Aí eu ia pra Casa Hogar com Nacho quando encontrei com Lucía e Juanita no meio do caminho. Elas tinham ido entregar uns bolos e estavam voltando. Logo depois a gente viu você vindo, cambaleando… Foi assim… - O rosto de Moncho se comprimiu ao lembrar da cena. - Você não lembra? - Willy demorou uma eternidade para responder. Então Lucía já sabia o que tinha acontecido. Uma mágoa que ele desconhecia se apossou dele.
- Talvez seja melhor não lembrar mesmo… Pede ao médico um remédio. Eu tô sentindo muita dor, quero dormir.
- Tá bom, eu já volto, já volto… - Depois que Moncho voltou, Willy pediu:
- Moncho, cuida da minha mãe por mim - ouvindo o companheiro de toda vida falar daquela forma tão séria, Moncho teve medo. Teve a impressão de que nunca mais as coisas seriam como antes, que talvez não visse mais o amigo. Tentou desanuviar, forçando-se um sorriso.
- Que passô, Willy? Amanhã ou depois você volta pra casa. Lembra do transplante de Tuqueque? Você aprontou todas e tirou de letra… - Ele pôs a mão no ombro do amigo. - Vai ficar tudo bem e eu vou tá aqui pro que você precisar. Tudo, tudo… Eu não vou sair daqui.
- Então não deixa ninguém entrar. Tirando a Jefa, eu não quero ver ninguém, ninguém mesmo, entendeu, Moncho? - o amigo ia responder, mas a enfermeira os interrompeu, trazendo a medicação para Willy. Depois que ela saiu, Willy virou o rosto para o lado da parede e fechou os olhos. Queria se desligar da realidade. Moncho, sentindo a dor do amigo,  sentou ao lado da cama e segurou a mão dele. Se perguntava quem poderia ter feito isso com o cara mais gente boa que ele conheceu na vida. O companheiro e amigo de infância. Quantas vezes Willy o tirara de enrascadas ou quantas vezes ambos haviam se metido nelas? Naquele momento, se pudesse, tomaria Willy em seus braços para protegê-lo como fazia com Tuqueque.

sábado, 17 de outubro de 2015

Soñador para Daniel Arenas



Minha nova capa do Twitter com mais um poema para Daniel Arenas em português e em espanhol meia boca com a ajuda do Bing.

Licença Creative Commons


Sonhador

Aqui do alto me vejo
Mais perto, tão longe ainda do céu.
O sol brilhou,
As nuvens vieram.
Longo caminho trilhado,
Longo caminho aprendido.
O céu é o limite?
Um sonhador
Jamais saberá o que é isso.


Soñador

Aquí el alta me veo
Más cerca, hasta ahora en el cielo.
El sol brillado,
Vinieron de las nubes.
Camino mucho tiempo pisado,
Mucho aprendido.
¿El cielo es el límite?
Un soñador
Nunca sabrá lo que es.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída ´- parte 3


por Lucia Andrade


A noite havia caído quando Willy deixou a cantina e se encaminhou para casa, para pegar o Willy Móvil e ir à casa de Hortensia. Entrou em um dos muitos becos do Bairro Progresso, mas de repente, alguém se pôs a sua frente. Eram homens encapuzados. Dois obstruíram sua passagem e outros dois o cercaram por trás. Preocupado, ele perguntou:
- O que vocês querem? Vieram a manda de Jorge? - Um dos homens, que tinha uma pistola na cintura, fez um gesto com a cabeça e o outro ordenou.
- Fica quietinho e vem com a gente. Temos que dar um passeio - Willy sabia o que viria depois: outra surra a mando de Jorge Solis.
- Cadê o patrão de vocês? Eu posso explicar a ele que eu não tenho mais nada com a Beba. A gente não tem nem se visto mais. Me levem até ele que eu converso com ele - um dos homens o empurrou.
- Cala a boca e segue em frente - Willy viu que se aproximavam de um dos cantos escuros próximo à quadra. Lá, ele não teria como fugir. Tinha que tentar escapar agora. Desvencilhando-se do cerco, Willy tentou fugir mas foi alcançado e jogado no chão. Ele lutou com os homens e conseguiu arrancar a máscara de um deles. Ao ver o rosto do homem, surpreso, Willy parou de lutar.
- Rickiee…? Ele foi dominado e levado a um canto. Lá, ele perguntou:
- Por que, Rickiee? Você já pegou o dinheiro, o que você quer?
- Cala a boca, irmãozinho. Era você ou eu. E eu já gastei o dinheiro, então, vou ter que fazer o serviço.
- Que serviço? Do quê você tá falando?
- Quem mandou tirar dinheiro das coroas cheias da grana?
- Você sabe que eu não faço mais isso. Eu parei. Seja lá quem tiver pago pra você me dar uma surra, pode dizer que eu parei desde que conheci Lucía.
- Eu tentei evitar, Willy, mas não dá. Se eu não fizer o serviço, eu vou pra vala. Sinto muito, irmãozinho - um dos homens do bando, ordenou:
- Não fica enrolando, acaba logo com isso! - Willy reconheceu aquela voz. Era El Jaibo. Ricky tirou uma navalha do bolso. Willy tentou se libertar.
- Rickiee, pra quê isso? - Ricky não respondeu. Willy sentiu o golpe frio da navalha em seu rosto, o cheiro do sangue, a dor… o sangue obscureceu seus olhos. Suas pernas bambearam. Ele tombou. El Jaibo o segurou pelos cabelos e Ricky o feriu novamente. Outro golpe e Willy tombou ao chão.
- Você deixou Jorge Solis com muita sede de vingança, Willy. Ele quer ter certeza de que a mãe dele nunca mais vai te procurar. Pelo menos, você tá vivo. Willy viu os vultos deles se afastando e também seu rosto queimando de dor. Em um esforço sobre-humano, Willy se ergueu e seguiu sem direção certa. Ele foi se amparando nas paredes, mas não conseguia enxergar para onde estava indo até que viu vultos na escuridão.


Moncho, Nacho, Lucía e Juanita conversavam próximo ao caminho da quadra, quando viram um vulto cambaleante ao longe.
- Alguém vem lá - disse Juanita.
- E parece estar bêbado - completou Nacho. Lucía foi quem o identificou primeiro.
- Parece Willy! - Moncho correu. Ao chegar perto do amigo, Moncho ficou chocado. Willy não o reconheceu.
- Me ajuda… me ajuda… - Lucía chegou logo em seguida. Ela começou a chorar.
- Willy! Willy! - Nacho imediatamente pegou o celular e chamou a ambulância. Willy já não conseguia ouvir mais nada.