quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Que seja breve


Que seja breve,
Mesmo que não seja indolor.
Que venha,
E que seja breve.
Que beije rapidamente minha face
E me leve.
Não me prenda nas correntes
Da imobilidade.
Nos caminhos sombrios da inconsciência.
Seja breve.
Segure a minha mão
E arranca-me daqui
Em um suspiro,
Em um fechar de olhos.
Deixe minha casca,
Esse corpo doente largado,
Entregue aos vermes,
Ou ao fogo da cremação.
Minha bagagem é pequena,
Poucos tesouros no coração.
Pagarei pelos meus pecados,
Em uma próxima existência.
Venha logo,
Seja breve.
Não me reserve o castigo
Da dependência de outras mãos.
Ordeno que me liberte logo,
Seja breve.
Mesmo que o preço a pagar
Seja a dor mais lancinante que encontrar.
Mas quero que seja breve.
Antes de minha mente parar de pensar,
De minhas pernas se recusarem a andar,
De meu corpo não querer mais se levantar.
Apenas te peço:

Seja breve.

Parte integrante do livro ARCO-ÍRIS SOBRE CINZA
Biblioteca Nacional 463.856 Livro 873 Folha 77

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