quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Rigor mortis

E se, no último instante, o coveiro for bonitinho, eu paro tudo, só pra dar um beijinho.

É uma festa,
Despedida.
É um enterro,
Missão cumprida.
Não há tristeza
Nem saudade doída.
Há música,
Alegria,
Roupa colorida.
As bocas beijadas
Podem se apresentar.
As que não foram beijadas
Ainda podem beijar.
Os lábios roxos,
Tomados pelo rigor mortis.
Morgana,
Mortícia,
Abandoanando a vida mundana.
Brindem à vida,
Cantem a morte.
Renascimento
À própria sorte.
Semeou o bem,
Bons frutos colherá.
Semeou o mal,
Agonia terá.
Nada disso importa.
Cantem,
Celebrem.
Cubram-se de sorrisos
Quando lembrarem da morta.

Parte integrante do livro ARCO-ÍRIS SOBRE CINZA
Biblioteca Nacional 463.856 Livro 873 Folha 77

Nenhum comentário: