sábado, 10 de outubro de 2015

Arco-íris sobre cinza


Tentei espalhar o arco-íris
No teu universo cinza.
Mas como plantar sorrisos
Em solo que nada germina?
Insisti em um mundo colorido,
No arco-íris pós temporal.
Mas você insistiu
Nas sombras soturnas da tempestade.
Apenas nas sombras
Porque a tempestade chora
E você nem isso faz.
E enquanto eu buscava incessantemente
O poder energizante da felicidade,
Você mantinha seu rosto impassível,
Estátua de cera,
Cera dos mortos embalsamados.
Quis te arrancar
Da maratona de tédio
Que você chama de vida,
Do seu não saber para aonde vai
Nem de onde veio.
Agora desisto,
Nosso caminho acaba aqui.
Quero ser feliz,
Sorrir.
Vou seguir meu pote de ouro
Escondido no fim do arco-íris.
Vejo hoje sua vocação
Em ser triste sem motivo.
Um artista sem arte,
Voz que canta
Mas não fala,
Se cala.
Coração que não sente,
Boca que mente,
Protótipo de gente.
Se você tem sonhos
Não sei.
Talvez teu único sonho
Seja calar as cores do mundo.
Amordaçá-las com tinta,
Com tinta cinza,
Cinza chumbo.

Parte integrante do livro ARCO-ÍRIS SOBRE CINZA
Biblioteca Nacional 463.856 Livro 873 Folha 77

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