segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - parte 4


por Lucia Andrade


Willy abriu os olhos lentamente. Por um breve momento de semiconsciência achou que tudo estivesse como sempre foi, porém, no momento seguinte, sentiu a navalha novamente em seu rosto. Instintivamente levou a mão à face. Sentiu alguma coisa grossa protegendo seu rosto, sentiu também a dor. Uma mão puxou seu braço. Willy olhou para o lado e viu Lala. Desviou o olhar do olhar dela.
- Como se sente, filho? - Ela não conseguiu conter as lágrimas. Willy se esforçou para conter as dele.
- Então não foi um pesadelo…? - Lala balançou a cabeça negativamente, mas não conseguiu falar. O silêncio de ambos parecia esmagá-los. Lala tentou falar, mas a voz não saiu. Ela levantou e abriu a boca como se sufocasse. Moncho entrou no quarto. A mãe de Willy, tentando conter o choro, fez sinal de que precisava sair. Moncho assentiu com a cabeça.
- Willy… Quem fez isso…? - A voz de Moncho quase não saía. Willy pensou em Lala. Se ele falasse a verdade, Ricky voltaria para a cadeia e sua mãe teria o coração destruído. Seria desgosto demais.
- Eu não consegui ver os rostos, eles usavam máscaras - Willy falava com certa dificuldade. - O que é isso apertando meu rosto?
- É uma máscara de compressão. Os médicos colocaram por cima dos curativos e ataduras. Tá apertando muito? - Willy fechou os olhos.
- Como me acharam na quadra?
- Você mesmo veio andando. Dona Lala pediu pra eu te procurar porque você tinha saído cedo e não voltou mais… Aí eu ia pra Casa Hogar com Nacho quando encontrei com Lucía e Juanita no meio do caminho. Elas tinham ido entregar uns bolos e estavam voltando. Logo depois a gente viu você vindo, cambaleando… Foi assim… - O rosto de Moncho se comprimiu ao lembrar da cena. - Você não lembra? - Willy demorou uma eternidade para responder. Então Lucía já sabia o que tinha acontecido. Uma mágoa que ele desconhecia se apossou dele.
- Talvez seja melhor não lembrar mesmo… Pede ao médico um remédio. Eu tô sentindo muita dor, quero dormir.
- Tá bom, eu já volto, já volto… - Depois que Moncho voltou, Willy pediu:
- Moncho, cuida da minha mãe por mim - ouvindo o companheiro de toda vida falar daquela forma tão séria, Moncho teve medo. Teve a impressão de que nunca mais as coisas seriam como antes, que talvez não visse mais o amigo. Tentou desanuviar, forçando-se um sorriso.
- Que passô, Willy? Amanhã ou depois você volta pra casa. Lembra do transplante de Tuqueque? Você aprontou todas e tirou de letra… - Ele pôs a mão no ombro do amigo. - Vai ficar tudo bem e eu vou tá aqui pro que você precisar. Tudo, tudo… Eu não vou sair daqui.
- Então não deixa ninguém entrar. Tirando a Jefa, eu não quero ver ninguém, ninguém mesmo, entendeu, Moncho? - o amigo ia responder, mas a enfermeira os interrompeu, trazendo a medicação para Willy. Depois que ela saiu, Willy virou o rosto para o lado da parede e fechou os olhos. Queria se desligar da realidade. Moncho, sentindo a dor do amigo,  sentou ao lado da cama e segurou a mão dele. Se perguntava quem poderia ter feito isso com o cara mais gente boa que ele conheceu na vida. O companheiro e amigo de infância. Quantas vezes Willy o tirara de enrascadas ou quantas vezes ambos haviam se metido nelas? Naquele momento, se pudesse, tomaria Willy em seus braços para protegê-lo como fazia com Tuqueque.

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