quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 5


por Lucia Andrade


Na mesma semana, Willy recebera alta e já estava em casa. Não tinha mais febre, o inchaço diminuíra e os pontos seriam tirados na semana seguinte ou depois. As cicatrizes ficariam, no corpo e na alma. Sentado na cama em seu quarto, em nada ele lembrava o Willy sorridente e brincalhão de sempre. O único a quem ele parecia ainda ouvir era Moncho, e este não saía do seu lado.
- Tá precisando de alguma coisa?
- Um buraco bem fundo, pra que eu possa me enterrar nele. - Moncho sabia que se Willy dizia aquilo é porque realmente o sentia.
- Não diga isso. Logo as cicatrizes vão diminuir. O médico disse a Lala que de tempos em tempos eles fazem mutirões de cirurgias plásticas e inscreveu seu nome. Quando tiver, você será chamado.Tudo vai voltar ao que era, Willy. - Willy baixou o rosto.
- Não, não vai, Moncho. Nunca mais nada vai ser como antes. Eu não sou mais o que era antes. Eu morri naquela noite. - Moncho sentiu um frio na espinha. O Willy que ele conhecia a vida toda, nunca falaria daquela forma. Tentou tocar em seu ponto fraco.
- Veja pelo lado bom, Lucía foi te ver várias vezes no hospital. Fui eu que não a deixei entrar, como você pediu. Mas ela quer te ver. - Willy soltou uma risada de deboche.
- Agora ela quer me ver… Lucía foi a minha perdição, Moncho. Tudo deu errado desde que eu a conheci. Eu desafiei Deus e olha o castigo que ele me deu - Willy apontou para o próprio rosto. - Ela tem razão, eu fui, sou e sempre serei um ser desprezível. Agora mais ainda porque eu tenho ódio aqui dentro - ele tocou no peito. - Moncho o interrompeu e começou a lembrar das coisas boas que o amigo havia feito.
- Não, não mesmo… Você doou seu rim para salvar Tuqueque. Pagou quase todo o tratamento dele e ainda…
- Eu me vendi, Moncho. Eu transava por dinheiro, pode dizer. Agora eu tô pagando o preço e te digo, tá sendo muito, muito alto. - ele suspirou fundo. - Me deixa sozinho, por favor.
Moncho se dirigiu à porta, preocupado com o amigo.
- Mais tarde eu volto, caso você precise de alguma coisa.
- Tá bom, Monchito - todas as vezes que Willy ficava sozinho, ele lembrava daquela noite. A navalha fria em seu rosto, o cheiro do sangue, o rosto de Ricky. Quantas vezes tinha ido visitar o irmão na cadeia? Jamais tinha esquecido uma data sequer, Natal, aniversário… Por quê? De Jorge ele esperaria isto, mas de Ricky…? E desde quando Ricky e Jorge se conheciam? Será que Beba já saberia de tudo? Como ela estaria? Sua mente girava e girava em mil pensamentos, quase todos ruins até que parou em Lucía. Ela era sua maior mágoa. Se naquele dia ela o tivesse escutado, talvez nada daquilo tivesse acontecido. Talvez eles dois tivessem uma chance de serem felizes. Se exasperou consigo mesmo e jogou o travesseiro longe.
- Ah! Talvez, talvez, Willy… Agora não tem talvez! Acabou! Tá tudo acabado! Você tá acabado! - Ele foi até o espelho. As três enormes cicatrizes tomavam conta do seu rosto. Falou para o espelho:
- Esse é você agora, Willy Boy. Esse é o seu eu verdadeiro, marcado, desfigurado e sozinho.

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