terça-feira, 27 de outubro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 7


por Lucia Andrade

Um certo pânico havia tomado conta de Willy depois do que acontecera. Até então, ele conseguira, apesar de não ser mais um jovem inocente, manter a pureza de seus sentimentos. O mundo, na sua visão, era um lugar bonito de se viver, até aquela noite. No momento em que seu irmão o golpeou com a navalha, foi como se toda a bondade do mundo se tivesse quebrado. E isso o chocou  O seu espírito brincalhão jamais conceberia algo assim. E os pesadelos se tornaram constantes. A simples menção do nome de Ricky o perturbava ao ponto de ele passar a trancar o quarto. E foi assim, com o quarto trancado, que ele ouviu sua mãe o chamar. Mal acreditou quando a ouviu dizer que Lucía queria vê-lo.
- Eu não quero ver ninguém!
- William Guillhermo! Não seja mau educado! - Willy não respondeu. Uma mágoa profunda o  dominava quando o assunto era Lucía. Quantas vezes ele tentou explicar tudo a ela? As palavras dela, agora martelavam ainda mais em sua mente. Revoltado, Willy saiu do quarto e foi até a sala.
- Você quer mesmo me ver?! - Ele parou exatamente em frente a ela. Lucía, vendo as cicatrizes no rosto dele, não conseguiu conter as lágrimas. Willy continuou, de forma dura.
- Vê?! - Ele apontou para o próprio rosto. - Agora eu sou um ser desprezível, por dentro e por fora. Sou um monstro completo. Lembra quando disse para eu não chegar perto de você porque te dava asco? - Lucía não conseguia falar. Lala também chorava. - Então o que faz aqui? Veio rir de mim?! Veio dizer que foi castigo de Deus?! - Ele balançou a cabeça. - Foi, foi castigo de Deus, eu sei. Como um pecador podia desejar uma santa criatura como você? Pois continue no seu caminho porque agora eu tenho certeza de que eu nunca fiz parte dele. E sabe qual foi o meu erro? Foi amar você. Amar da forma mais pura que alguém pode amar. Hoje eu sei que você tem amor e bondade pra todo mundo, menos pra mim. O seu perdão é pra todo mundo, menos pra mim. Até Deus, se viesse à Terra, seria capaz de me perdoar, menos você. Pois eu também não te perdoo. Eu nunca vou esquecer as suas palavras.- Ele colocou a mão em forma de concha perto do ouvido. - Elas estão aqui, martelando, me lembrando que você nunca me amou. Eu não preciso da sua caridade cristã e nem da sua piedade. Agora eu me olho no espelho e vejo o que eu realmente sou, sem ilusão. Vai embora e não volta nunca mais! - Willy deu as costas a ela e voltou para o quarto. Lucía se apoiou na cadeira, aos prantos. Lala, apesar de querer confortá-la entendia toda a dor do filho. Willy já não era mais o mesmo.


Depois do encontro com Lucía, Willy se fechou ainda mais. Estava há mais de um mês sem sair de casa. Seu rosto assumira uma frieza absurda. Estava cada vez mais monossilábico. Lala, tentando tornar as coisas mais fáceis para ele, colocou a TV da sala no quarto para que ele não ficasse tão isolado, mas ele quase não via. Um dia, pela manhã, quando saiu para escovar os dentes, ouviu uma voz que o fez tremer de ódio. Foi até a sala.
- E então, irmãozinho…? - Ricky, com a cara mais lavada do mundo, sorria para ele. Willy teve ímpetos de voar no pescoço dele, mas ele pensou em Lala. Ela não sabia de nada. Com ódiio no olhar, Willy perguntou:
- O que faz aqui?
- Vim visitar vocês. Soube o que aconteceu e como você não tá trabalhando, vim saber da Jefa se tão precisando de alguma ajuda - o rosto de Willy ficou vermelho de raiva. Num esforço supremo, ele se controlava.
- Não precisamos de nada. Eu estou de licença médica e continuo mantendo a casa. Pode voltar pelo mesmo caminho que veio - Lala, surpresa com a reação de Willy, o repreendeu.
- Willy! Ele é seu irmão - Willy olhou dentro dos olhos de Ricky.
- Eu sei muito bem disso. E sei também que ele só aparece quando quer alguma coisa - Lala olhou para Ricky.
- Está precisando de algo, filho? - Com um sorriso cínico no rosto, Ricky respondeu.
- Eu tava pensando em ficar aqui uns dias. A grana tá curta e… - ele nem precisou terminar de falar para Lala concordar.
- Claro, pode ficar aqui - Willy fechou os olhos. Estava a ponto de explodir de tanta raiva, mas não podia falar nada para a mãe.
- No meu quarto não vai ficar. Não quero ninguém lá - percebendo que não conseguiria conter-se mais, foi para o quarto e se trancou.

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