segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 10


por Lucia Andrade


Willy olhava perdido pela janela do hotel. Pensava em sua mãe e irmã. Mesmo tendo deixado Juancho encarregado de tomar conta da casa e das duas, Willy se preocupava. Temia que Ricky decidisse voltar ou que aprontasse alguma. Ele olhou para a porta que interligava seu quarto ao de Hortensia e respirou fundo. Lembrou de quando se despediu de Moncho.
- Willy! Tem certeza de que é isso o que vai fazer?
- Já estou fazendo, Monchito. Não tenho outra saída e não quero ficar aqui. Quero ir para longe de Lucía, de Ricky, de tudo…
- Mas vai cair nos braços de Hortensia, Willy! O que você mais queria era fugir das garras dela e agora… vai se envolver com ela, de novo. E se ela depois te cobrar esse - Moncho ergueu os dedos como se fossem aspas - favor?
- Não me importo. Não me importo com mais nada. A bem da verdade, eu deixei de cumprir o trato que fiz com ela. Quando eu o fiz, achei que poderia dar um jeito, como sempre… Então, eu realmente tenho uma dívida com ela e vou ter que pagar - Moncho, inconformado, balançou a cabeça.
- Willy, você tá brincando com fogo… - Willy colocou a mão no ombro do amigo.
- Não, Moncho, o tempo da brincadeira acabou, não existe mais… pior do que está não dá para ficar.


Uma batida na porta o fez despertar de suas lembranças. Era Hortensia. Willy foi até lá e abriu a porta. Hortensia entrou.
- E então, gostou do quarto? - Willy esboçou um sorriso. - Amanhã, pela manhã, iremos ver o cirurgião que cuidará do seu caso. Ele está acostumado a casos como o seu e acredito piamente que o resultado será bem satisfatório. Ele é muito respeitado no meio da cirurgia plástica.
- Melhor do que está, com certeza vai ficar, né…? - Hortensia percebeu a tristeza na voz de Willy.
- Sei que agora você está se sentindo perdido, mas, em breve, tudo voltará a ser como antes. - Lembrando das palavras de Moncho, Willy foi direto com Hortensia:
- Hortensia, o que você espera de mim? Ou melhor, você quer que eu tenha meu rosto como antes para poder cumprir com nosso acordo, não é?
- Não vou negar que gostaria muito que você fosse meu companheiro. Como já disse antes, a sua alegria e juventude me contagiaram. E eu tenho algo para te dizer que não poderia ser dito lá no México - Willy olhou para os lados.
- Então, toda aquela conversa de que queria me ajudar, era mentira… Você, como quase todas as mulheres, só me quer para te satisfazer…
- Está equivocado, Willy. Eu realmente quero te ajudar, porque me apaixonei por você, mas… mas também porque me sinto culpada pelo que te aconteceu - Willy a encarou.
- O que você tem a ver com isso?
- Calma! Não é o que você está pensando. Eu não ordenei que fizessem isso com você, se é o que está pensando. Mas indiretamente eu posso sim, ter alguma participação - Willy não se conteve e a segurou pelos ombros.
- Chega de rodeios, Hortensia! Fala logo!
- No dia do aniversário da Beba, depois que eu soube que vocês estavam juntos, eu… eu fiquei com ciúmes e… eu liguei depois para o filho dela e contei sobre vocês dois… - ela se desvencilhou de Willy.
- Então foi por isso que ele me sequestrou e me deu aquela surra.
- Eu não imaginei que ele faria algo assim. Eu só queria que ele impedisse a Beba de ver você! Jamais passou algo assim pela minha mente, eu lhe juro!
- Jorge já vinha me perseguindo há tempos. Já tinha mandado os capangas dele me espancarem uma outra vez. Foi nesse dia que conheci Lucía - a lembrança daquele dia fez com que Willy ficasse ainda mais triste. Hortensia também percebeu.
- Entendeu agora porque eu quero te ajudar?
- Então não é mesmo por conta do acordo que fiquei te devendo…?
- Isso é uma outra coisa que preciso te contar… - Willy abriu os braços, irritado.
- Ainda tem mais, Hortensia?
- Tem, Willy. Você, na verdade, não me deve mais nada. Fui eu que pedi a Ricky para roubar o dinheiro da rifa.
- O quê?! Desde quando você e Ricky se conhecem?!
- Eu o conheci na sua casa, quando você e Tuqueque voltaram do hospital. Depois eu o reencontrei por intermédio de Jorge, filho de Beba. Ricky foi à minha casa levar uma encomenda de Jorge. Foi aí que eu soube dos - ela fez um gesto circular com a mão direita - trabalhos que ele fazia para Jorge - Willy fechou os olhos e balançou a cabeça, não acreditando no que acabara de ouvir. Hortensia segurou o braço dele.
- Eu não queria te perder! Se você me pagasse o dinheiro, eu perderia você para sempre...  - Willy puxou o braço e se afastou dela.
- E porque tá me contando tudo isso agora, aqui?!
- Para que tenha a certeza de que eu não vou te pedir nada em troca. Eu te devo isso e você não me deve mais nada. Se eu te contasse lá, no México, você não viria. Mas agora você já está aqui, com a consulta marcada e… mesmo que você me odeie daqui por diante, eu vou poder consertar, pelo menos em parte, qualquer dano que eu lhe tiver causado - ela foi até ele e novamente segurou seu braço. - Por favor, Willy, deixa eu tentar me redimir… por favor… - novamente ele se afastou dela e sentou na beirada da cama.
- Me deixa sozinho, Hortensia. Vai embora.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Fanfiction Amorcito Corazón - Willy sem saída - Parte 9


por Lucia Andrade

A briga com Ricky serviu para que ele fosse embora, mas em compensação, Lala agora viva calada, o que fez o clima na casa azedar de vez. Willy chegara ao ponto de não suportar mais a si mesmo dentro daquele quarto. O único que conseguia quebrar a barreira era Moncho e somente ele.
- O que é que tem, Willy? Ele quer te ver.
- Eu sei, Moncho. Mas eu não quero que ele me veja assim.
- Tá bom, tá bom. Faz do jeito que você quiser, eu não vou insistir. Você quer ficar enfurnado nesse quarto, faça como quiser, mas quando Tuqueque não lembrar mais de você, não reclama - Moncho saiu batendo a porta. Willy sabia que ele estava certo. Uma hora não teria mais como evitar o mundo e os olhares de pena e curiosidade das pessoas. Ele fechou os olhos. Onde conseguir coragem para erguer a cabeça e seguir em frente? Ele não tinha respostas e realmente vinha se afastando de todos, inclusive dos que o amavam. Não recebia ninguém além de Moncho, Lala e às vezes Bárbara. Nem Juancho, nem a Tropa e nem Tuqueque. Havia dias em que uma saudade absurda de Lucía tomava conta dele e a ela ele queria ver, mas, jurara para si mesmo que nunca mais chegaria perto dela. No momento em que ele recordava o último encontro com ela, Moncho bateu na porta. Willy abriu e Moncho entrou.
- Tem uma pessoa lá fora que quer te ver… - Antes que Moncho concluísse a frase, Hortensia irrompeu quarto adentro. Willy logo virou o rosto.
- O que quer aqui, Hortensia? Eu não tenho como cumprir nosso acordo.
- Não vim cobrar o acordo, quero conversar com você - ela olhou para Moncho - em particular. E desta vez ninguém vai me impedir - Hortensia se referia ao dia em que foi ao hospital ver Willy e Moncho a impediu de entrar.
- Willy…? - Ele acenou afirmativamente para Moncho, que saiu do quarto. Depois que ele saiu, Hortensia passou a mão pelo rosto de Willy.
- Seu lindo rosto… Willy se desvencilhou e virou o rosto para o outro lado. Hortensia insistiu. - Não precisa fugir. Eu vim como amiga. Não quero cobrar nosso acordo, quero ajudar você e você sabe que eu posso fazer isso - Willy olhou para ela.
- E eu terei que te dar minha alma desta vez?
- Não terá que me dar nada. Naquela noite, depois que eu vi que você não apareceria, eu vim aqui. Não encontrei ninguém. Fiquei muito brava. No dia seguinte eu voltei e a sua vizinha me contou por alto o que tinha acontecido. Eu tentei ver você no hospital, mas não consegui. Queria muito ajudar. Esse tempo de espera foi angustiante, Willy, mas foi bom para eu repensar as minhas atitudes com você. Eu errei. E não só uma vez, mas várias. Eu tentei forçar uma situação que da sua parte não existia, nunca existiu. Mas imaginar você em uma cama de hospital com o rosto golpeado e não poder fazer nada, me fez parar e pensar. Antes de você entrar na minha vida, eu não lembrava o que era sentir saudade de alguém. Eu estava amarga, como dizia a Beba. E ela estava certa. Você me devolveu a vontade de viver, me fez voltar a sorrir. Você conseguiu quebrar minha couraça, Willy. E eu me dei conta que eu sinto a sua falta e que só estarei bem se você estiver. Por favor, Willy, me deixe te ajudar. Não me negue a chance de me redimir dos meus erros com você - Hortensia falou sem pausa, porém de forma convincente. Willy surpreso, ficou desarmado. Ele esperava o jeito arrogante e ofensivo dela e o que viu foi uma Hortensia humilde e aparentemente sincera.
- Eu não sei, Hortensia. Minha vida está de pernas pro ar. Eu tô me sentindo perdido. Sei que fiz um acordo, mas tenho certeza que você… - Hortensia não o deixou completar a frase. Colocando sua mão sobre a dele, ela pediu:
- Esqueça esse acordo, Willy. Eu quero te ajudar e lhe prometo, não vou pedir absolutamente nada em troca - ela retirou um cartão da bolsa. - Eu consegui o contato de um cirurgião plástico de Los Angeles que é especialista em casos como o seu - Willy olhou para ela desconfiado.
- Los Angeles…? Nós dois…? - Hortensia balançou a cabeça negativamente.
- Willy, estou te oferendo uma oportunidade única. E lhe dou a minha palavra de que não tentarei nada. Estarei ao seu lado apenas para providenciar o que for preciso - vendo a desconfiança no olhar dele, Hortensia insistiu. - Willy, olhe para você, trancado neste quarto, isolado, você não é assim. Cadê o Willy sorridente que me arrancou sorrisos? - Ela se levantou e foi em direção a porta.
- Eu estou lhe estendendo a mão e se eu fosse você eu pegaria. É a sua melhor chance de ter sua vida de volta - poder ter sua vida de volta… era exatamente o que Willy queria. Em um segundo ele decidiu.
- Hortensia, espera! Eu aceito, eu vou com você.