sexta-feira, 13 de outubro de 2017

SARAU PONTE CULTURAL - 28 DE OUTUBRO DE 2017


"Salve Salve galera!

Pode chegar por que iremos nos reunir mais uma vez para trocar aquela energia pra lá de positiva, movida a muita arte, cultura, harmonia e cumplicidade.

Como não poderia ser diferente das demais edições, queremos levar um assunto mega importante.

A prevenção, o tratamento e mais do que tudo a solidariedade a quem trata o câncer de mama.

A detecção do câncer de mama nas etapas iniciais aumenta as chances de cura. O autoexame e o exame clínico das mamas feito por um profissional treinado são os procedimentos recomendados para a detecção precoce da doença.

O autoexame de mama não substitui o exame clínico que deve ser feito a cada dois anos a partir dos 30 ou 35 anos. 

Mas a mulher pode ajudar na detecção precoce do câncer de mama fazendo o toque das mamas. 

Encontrar um nódulo não quer dizer que seja um câncer. Só um médico pode fazer o diagnóstico após exames.

Vamos através da arte mostrar, de modo belo e feminino, a importância da luta contra o câncer que mais mata mulheres em todo o mundo.

O importante é, na realidade, focar este sério assunto nos 12 meses do ano, já que a doença é implacável e se faz presente não só no mês de outubro.

Traga xs amigxs, familiares, ficantes, os amores e quem mais desejar curtir uma noite de poesia, dança, hip hop, rap, pop e solidariedade.

E você que está a fim de expor seu artesanato e/ou apresentar seu talento, entre em contato com o Marcos Moura (9 9266-0026).

A entrada será 1kg de alimento não perecível.
Os alimentos serão doados para as famílias assistida pelo Coletivo Ponte Cultural."
Por Marcos Moura e Equipe Coletivo Ponte Cultural

domingo, 9 de julho de 2017

EXPO CATADORES 2014


Um evento muito bom, pena que rola mais dinheiro para quem não é catador do que para quem é.
O catador sustenta esta pirâmide, mas é o que menos ganha no final.

sábado, 8 de julho de 2017

O CALANGO ENFORCADO


Quando nossa cooperada abriu a bag, havia um calango preso em uma dessas redes de frutas, quase enforcado. Em um esforço conjunto, a equipe EcoSol conseguiu salvar o pobre animal da morte.

domingo, 2 de julho de 2017

UNBOXING MENDORATO



Quando a empresa é séria, como a Santa Helena, a troca do produto fora do padrão é feita sem sofrimento para o cliente.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

FELIZ ANIVERSÁRIO, TERRA!



Vlog do Escritor – Oficina de Contos 13 por Henry Bugalho



por Lucia Andrade

Sim, sem dúvida, era uma flor, pequena e tímida, surgindo sobre aquela terra nova e fértil. Os olhares de ambos se encontraram e lágrimas brotaram dos olhos dela.

- Você encontrou isso pra mim? Uma flor!

- Eu faria tudo por você, sempre. Eu te amo. Eu sabia que esse era o presente que você mais queria, em toda a sua vida. Feliz aniversário! - ela não se conteve mais e o abraçou, e o beijou. E ficaram abraçados por muitos minutos. Enquanto seus olhos estavam fechados, ela se lembrou de que ela o havia perdido, muitos meses antes. Sua mente voltou no tempo.

- E então, vamos fazer a viagem para a estação espacial Craywon neste final de semana? - ele perguntou tentando ver a expressão dela, que mantinha-se de cabeça baixa. Após longos momentos, ela respondeu:

- Para quê? Para ver vida artificial? - ela seguiu para a outra ponta do laboratório, dando de costas para ele.

- Não somos artificiais! - ele gritou e parou no meio da sala imensa, com os braços abertos.

- Nós não, mas o que comemos, bebemos e respiramos é. Até o modo como somos gerados é artificial, e trabalhamos no Laboratório da Vida Nova, ou seja, artificial – ele suspirou e depois se aproximou dela, pegando-a pelos ombros.

- Olhe para mim – ela o encarou. - Essa é a vida que temos agora. O passado que vimos nos tera chips educacionais não existe mais. Temos sorte de estar em um planeta habitável e de estarmos vivos – desvencilhando-se de seus braços, ela se afastou dele novamente.

- Vivos?! Eu não quero esta vida sem cor… sem… sem vida – não adiantava argumentar. Fazia meses, que ela estava assim, depressiva. Ela já tinha até preenchido o formulário de Pedido de Finalização Voluntária e Assistida da Vida e estava aguardando a data ser agendada pelo Setor Finalizador, como era chamado o departamento que cuidava da morte assistida de quem entrava em depressão no planeta Centilow. Ele havia achado o formulário preenchido no casulo dela. Pediu, implorou, mas não conseguiu demovê-la da ideia.

Centilow era um planeta tão minúsculo e árido que não cabia todo mundo. Por isso os Pais Primeiros, como eram chamados os administradores, abriram o programa de Finalização e muitos se cadastraram nele porque era comum pessoas entrarem em depressão dentro da redoma, vivendo nos casulos minúsculos, sem poder ter filhos e comendo comidas sem gosto. No início da ocupação, muitas pessoas abriram mão de suas vidas para garantir vaga e comida para filhos ou pais. Foram os primeiros a serem finalizados. E agora a fila era grande.

Era certo que, caso ele não a fizesse mudar de ideia, ele a perderia. E seria para sempre. Apenas ela conseguira fazer com que a vida dele fosse suportável. Inconformado, ele dirigiu-se à cápsula de teletransporte. Sem ela, ele também desistiria. Era o sorriso dela que o fazia sorrir.

Cheio de revolta, apertou o botão da cápsula, mas como sentimentos nocivos eram sempre reprimidos, a cápsula não se ativou. Um aviso luminoso surgiu: Não polua nosso paraíso com sementes nocivas.

- Paraíso?! - pensou ele. Ela tinha razão, não era o paraíso. Nenhum paraíso usaria tera chip implantado em você para te controlar. Definitivamente, ele não queria mais se controlar. Como era possível as pessoas aceitarem a finalização voluntária como uma coisa do paraíso? Ele socou e chutou a maldita cápsula. O aviso luminoso continuava lá, tentando mandar nele. Sem que percebesse, a cápsula se fechou e abriu, mas não no setor de Alegrar a mente, onde eles passavam repetições de imagens bonitas. A porta da cápsula abriu em um lugar. Sim, sem sombra de dúvidas, aquilo não era apenas uma imagem e se era, parecia muito real e linda.

Com medo, muito medo, ele pôs o pé para fora. Havia histórias de monstros e fumaças mortais fora da redoma. Seu órgão bombeador bombeava muito rapidamente naquele momento. Ele jamais havia visto aquele lugar em nenhum dos conteúdos dos tera chips educacionais. Quando já estava a uns dez passos da cápsula, voltou correndo, como a lembrar-se de algo importante. Apertou o botão onde de memorização do quadrante. Pronto! A ligação entre o seu planeta e aquele lugar, fosse onde fosse não se perderia. A menos que um monstro aparecesse e engolisse a cápsula ou ele. Mas valia a pena o risco.

E foi assim que ambos ficaram muitos, muitos minutos admirando a pequena flor.

- É o melhor aniversário da minha vida. Nas imagens antigas tinha umas coisas coloridas, mas no nosso nunca teve nada. Mas hoje você me deu uma flor e essa coisa aqui, ela pegou um punhado de grama com as mãos. Não vamos voltar, vamos ficar aqui.

- Aqui?! - indagou ele, assustado. Mas só vimos um pequeno pedaço. Não sabemos o que tem aqui – ela se aproximou e passou as mãos pelo rosto dele. - É aqui que eu quero ficar.

- Mas vão rastrear a cápsula e nos encontrar – ela sorriu. O sorriso cheio de vida havia voltado ao rosto dela. Seus olhos brilhavam.

- Então, destruiremos a cápsula… - foi nesse momento que ambos ouviram um som novo. Parecia uma coisa chamada trovoada nas imagens antigas, mas não vinha de cima. Um segurou a mão do outro. Ela o puxou na direção do som. Ele recuou.

- Não! Pode ser um monstro – disse ele baixinho.

- Se fosse já teria engolido a gente. Só agora nos demos conta, mas ele não começou agora – ele assentiu com a cabeça. Ao chegar perto, viram algo que os deslumbrou. Uma coisa que escorria do alto e batia na pele deles. Ela se lembrou da água nas imagens e buscou em seu implante educacional. Aquilo era água, de verdade, assim como a flor. E eles beberam e se banharam, como crianças. Sorridentes como crianças. Foi então que se entreolharam. A cápsula. Precisavam destruir a cápsula antes que os rastreassem.

Após destruírem a cápsula com galhos e pedras, ela perguntou:

- E os implantes?

- Os implantes não são de rastreamento, não aqui, em outro quadrante. Somente dentro da redoma. Mas podemos tirá-los também, depois que aprendermos tudo sobre o novo planeta. Ela assentiu. E assim, a cada dia, eles descobriam coisas novas sobre o lugar que sempre sonharam encontrar. Pelo menos os implantes educacionais ajudaram quanto ao que comer, como plantar, como se abrigar. Mas um dia, eles descobriram uma coisa escrita e estava na língua atual.

ESTE PLANETA SE CHAMA TERRA. ELE ESTÁ SENDO ABANDONADO HOJE PELO ÚLTIMO GRUPO DE HABITANTES, POR ESTAR TOTALMENTE POLUÍDO E CONDENADO. NO ESPAÇO DE TEMPO ENTRE HOJE, 21 DE MARÇO DE 2094, E AS PRÓXIMAS DEZENAS DE ANOS, ELE ENTRARÁ EM ROTA DE COLISÃO COM UM ASTEROIDE GIGANTESCO, QUE O DESTRUIRÁ COMPLETAMENTE. PARTIMOS HOJE RUMO A UM NOVO MUNDO.


Coube a ele quebrar o silêncio.

- Vamos morrer, então – ela estendeu a mão para ele e respondeu.

- O que importa? Um dia aqui vale mais que mil anos lá. Eles estavam errados, tanto quanto à poluição como quanto ao asteroide. Já se passaram mais de duas centenas de anos. E olhe para isso – ela girou o braço ao redor. - Como diziam os ensinamentos antigos, sem a raça humana, o planeta se reconstruiu e reviveu. Seremos como os primeiros Pais Primeiros: eu sou Eva e você, Adão – dizendo isso, ela se abaixou e beijou um botão de flor que estava próximo.

- Feliz aniversário, Terra!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

SEMANA DO MEIO AMBIENTE 2017 / MOMENTO DE MUDANÇA



Muito bom saber que, enfim, o momento de mudança chegou e que, desta vez, estamos sendo chamados para fazer parte desta mudança. A EcoSol Cooperativa agradece ao convite da SEMMAURB e da Prefeitura de Itaboraí para a abertura da Semana do Meio Ambiente 2017 com renovada esperança de construirmos um mundo melhor.

terça-feira, 30 de maio de 2017

VELHA COM MUITO ORGULHO



Nesse vídeo eu falo sobre uma coisa que me falaram, dia destes em uma live no YouTube e que a pessoa que falou achou que estava me ofendendo mas, na verdade, me fez um grande elogio quando me chamou de VELHA.

sábado, 13 de maio de 2017

FELIZ DIA DAS MÃES



Decidi lançar o vídeo hoje, para que nós mães possamos curtir e comemorar por mais tempo.

domingo, 7 de maio de 2017

QUEM TEM MEDO DA LUCIA MÁ?




Definitivamente eu não nasci pra ser boazinha. E isso tem suas vantagens. Ser livre, independente e verdadeira faz com que muitas pessoas te vejam como uma pessoa má. E não vale a pena se importar com isso. Siga em frente.

sábado, 6 de maio de 2017

BATALHA CAMPAL

Vlog do Escritor – Oficina de Contos 12 por Henry Bugalho

Tema – Infantil até 12 anos com uma protagonista feminina, sem ser princesa


Batalha campal


Na linha de frente estavam Nininha, Cycy, Ritinha e Dinha. Olhares mortais no rosto das quatro. Na linha de trás, as meninas menores, algumas ainda com os narizes cheios de meleca. Nininha, a mais velha de todas, a líder, do alto dos seus 10 anos, olhou ao redor. Sua turma aguentaria aquele desafio? Como ninguém havia arredado o pé, ela se aprumou e olhou dentro dos olhos do menino à sua frente.

- Nunca deixem homem nenhum bater em vocês. Se ele levantar a mão, peguem a primeira coisa que estiver por perto, acerta e corre – ela se lembrava das palavras da sua Mãe, desde que ela e a irmã Cycy eram muito miúdas. E agora era a hora de pôr em prática esses ensinamentos. O inimigo estava ali, na sua frente. Ela teria que defender seu território. E não podia ter medo. Aquela era a sua gangue. Perder significava perder tudo, abaixar a cabeça e engolir a derrota.

Desde que mudou para aquele lugar, perdido no meio do nada e longe de tudo, o único lugar para brincar era o campinho. Ali era o lugar do futebol, da pipa, do queimado, do pique tá, do pique pega. Aquele pedaço de chão era tudo. Sem ele, tudo era sem graça. Foi ali que ela e a irmã Cycy conheceram Ritinha e sua irmã Dinha. Ali a amizade foi ganhando forma, assim como a gangue. Toda tarde, menos quando chovia, e às vezes até quando chovia, se as mães não estivessem em casa, era dia de campinho.

Nenhuma das casas tinha televisão, e quando tinha, era de segunda mão e em preto e branco. Internet? Nem nos livros futuristas da escola existia algo parecido. Nem nas 20 Mil Léguas Submarinas. O mais futurista que aquela turminha conhecia era o Nacional Kid visto pela janela da casa da vizinha mais rica da rua, que também nem era tão rica assim. Mas ela tinha televisão e geladeira. Isso era coisa de gente muito rica.

A casa de Ritinha ficava um terreno baldio depois da casa de Nininha, ou vice-versa, e aí bastava um grito de lá ou de cá, pra que a turma se juntasse. Mas elas eram meninas más e gostavam de serem chamadas de gangue, em um tempo que isso era usado pra definir gente perigosa. E a julgar pela cara de Nininha, com seu olhar antipático, o título até pegou, menos para os meninos.

Antes da turma de Nininha se juntar, o campinho era território exclusivo dos meninos. Eles eram os donos do pedaço, mas… existia uma coisa chamada horário da escola e outra coisa chamada castigo. Zezinho era o chefe do bando, mas ele sempre estava metido em encrencas e daí, volta e meia ele ficava de castigo. E sem ele, o bando não se juntava. E sem ele, o campinho ficava vazio.

E foi de brecha em brecha que Nininha foi tomando conta do espaço e colhendo amigas. Ela gostava da rua. Serviço de casa? Nem pensar. Lavar prato? Pra quê? Ela ia viajar pelo mundo, igual a atriz da novela que ela viu pela janela da casa da vizinha rica. Ela ia ser atriz. Não. Ela queria ser médica. Como devia ser viajar de trem? Naquele dia ela pegou prato por prato que estava dentro da bacia da louça suja e jogou no mato, por sobre a cerca. Nunca mais iria lavar pratos. Só tinha um problema, sua Mãe iria chegar do trabalho e…

- Nininhaaaaaaaaaaaa! - A palmatória do seu Pai iria cantar. A outra ela tinha quebrado quando colocou um anel grosso no dedo, já sabendo que tinha feito arte das grandes. O grito na sua cabeça fez com que ela acordasse do sonho. Correu por debaixo da cerca de arame farpado, mas agora só havia cacos. Balançou a cabeça, derrotada, para, no momento seguinte:

- Ritinhaaaaaaaa! Traz a bola! - Já que a palmatória ia queimar sua mão de noite, então, pelo menos ela aproveitaria o resto do dia. E quando ela falava aproveitar era aproveitar mesmo. Pegar frutas no pé, sentar no campinho e comer até se fartar e depois, de cara suja de manga, de jaca ou de qualquer outra fruta, correr, suar até não poder mais. O dia passava que nem dava pra sentir.

Quando ela e os irmãos ficavam de castigo trancados dentro de casa, também era dia de farra. Tudo era motivo pra farra. Faziam cabana com as cobertas, picavam papel e fingiam que era dinheiro, imitavam os cantores nos programas de calouros. A escova de cabelo era o microfone. Nininha e Cycy pegavam as meias-calças da mãe e colocavam na cabeça pra fazer os cabelos longos e calçavam os sapatos de salto alto. Eram madames. A brincadeira corria solta até alguém se dar conta de que os pais estavam para chegar. Corre daqui, corre dali, se não ficasse tudo arrumado a tempo:

- Boa noite, palmatória!

Mas a terrível palmatória não era o bastante para estragar o dia seguinte. Depois da escola, havia sempre o amado campinho. E os momentos alegres no campinho sempre acabavam quando os meninos chegavam. Eles mandavam parar a brincadeira porque o campinho era deles. Quem disse? O campinho, porque era assim que todo mundo chamava, era de todos. O campinho, que na verdade era um grande descampado com um pouquinho de mato nas bordas, naquele dia, estava pegando fogo. A gangue de um lado e o bando do outro. Nininha contra Zezinho.

- Mira no meio das pernas e acerta – ouviu a voz de sua Mãe dentro da sua cabeça.

Era isso mesmo. Agora valia tudo. E ela, a futura médica, que viajaria o mundo, não ia correr daquele brutamontes de 12 anos, não. Se o chute no meio das penas não desse certo, ela apelaria para uma mordida no nariz ou na orelha. O sangue ia jorrar. Mas ela não tinha medo de sangue. Já tinha ajudado sua mãe enfermeira a costurar dedo semi decepado.

Antes que Zezinho percebesse, Nininha já estava com o pé na sua barriga. Errou por pouco. Essa foi a deixa para a gangue atacar. E foi um festival de puxão de cabelo, unhada, mordida, chute pra todo lado. Se pegou no lugar certo ninguém sabe, mas, muitas pedradas depois, muitos tiros de mamona depois, os meninos bateram em retirada.

Nininha se virou para ver como estava a tropa. Algumas com meleca seca esticada pela cara, algumas com olhos esbugalhados, a maioria com sangue na boca – que batalha inesquecível - e quase todas com os cabelos desgrenhados, menos a Ângela que tinha o cabelo sarará bem curtinho. Mas todas estavam sorrindo.

- Vitória!

A comemoração foi com manga carlotinha lambuzada pela cara. Ver os meninos irem embora de cabeça baixa, saber que agora elas teriam que ser respeitadas como donas daquele pedaço de céu. No meio dos seus pensamentos, Dinha se agacha com um montão de carlotinha na barra do vestido.

- Vocês viram a mulher que mora no buraco? - Existia uma lenda de que uma família morava debaixo do campinho e que ela descia por um buraco que se abria. Todos diziam ter visto, mas ninguém nunca descobria o tal buraco.

- Ela passou por aqui? Ela entrou no buraco?

- Passou, você não viu? - A conversa tava animada nesse rumo, até que…

- Oi, Jorge! - Jorge era o rapaz louro, bonito, de olhos verdes e cabelos compridos, e barba. Todas as meninas, de todas as idades, eram loucas por ele. E bastava o Jorge passar, que todas o cercavam. Nininha agora só conseguia se perguntar:

- Será que ele quer ser médico também?



quinta-feira, 27 de abril de 2017

TEMER NÃO RIMA COM FUTURO



Feito às pressas mas eu precisava compartilhar isso porque #EuApoioAGreveGeral, quero um #BrasilLivre e sou totalmente #ForaTemer!

NUESTRODANIEL ARENAS 5000 LIKES




Mesmo sem estar postando, meu povo continuou curtindo a página e hoje ela ultrapassou 5000 likes.
Obrigada, meu povo! Recomendo que assistam em tela cheia.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

sábado, 15 de abril de 2017

PALAVRAS AO VENTO - PREFÁCIO



Esse é o início da leitura dos meus livros prontos. 
Voltei a escrever e pretendo colocar todos os meus textos em vídeo.

FALHA NOSSA 1




Nem tudo dá certo de primeira quando a gente vai fazer vídeo. E o resultado, é esse aí.

COOPERATIVA ECOSOL MARÇO DE 2017




Pra quem não sabe ainda, eu sou presidente da EcoSol Coopertativa e estou licenciada por problemas de saúde, mas nosso trabalho continua. REDUZIR, REUTILIZAR, RECICLAR SEMPRE.

ÀS FÃS DE NUESTRO DANIEL ARENAS



Pra quem anda perguntando sobre as postagens da página Nuestro Daniel Arenas e os vídeos que eu não fiz mais, eis aqui a explicação.

FORA TEMER VEM OBAMA




Já que podemos terceirizar, vamos terceirizar nosso odiado presidente não eleito.
Vamos chamar o Obama.

O HEMORIO AINDA É UM HOSPITAL MODELO DE EXCELÊNCIA?



Como a crise do governo do estado do Rio de Janeiro vem afetando a qualidade do atendimento do Hemorio.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

CAUSA DA MORTE: CORRUPÇÃO


Exercício para o Vlog do Escritor – Oficina de Contos 11 de Henry Bugalho

Tema – Corrupção


Causa da morte: corrupção


por Lucia Andrade


De longe ele observava o homem que olhava para o lençol que tinham acabado de jogar por sobre o corpo da mulher. Ali, parado, Seu Henrique não conseguia ter uma reação. Era como se ele estivesse congelado… parecia tudo distante. De repente uma centelha saltou dentro dele. Não, não era sonho, era um pesadelo. A mulher que acabara de falecer era a esposa de Seu Henrique, mãe de suas filhas. O médico olhou para o homem e para o corpo da mulher. Ela tinha sido a companheira de uma vida toda dele e agora estava lá, inanimada, debaixo daquele lençol encardido. Ele viu que o homem caminhava em sua direção.

- Dotô, foi o câncer? - o médico, aparentando uns 30 e poucos anos, olhou para Henrique e suspirou muito profundamente antes de responder. Depois olhou novamente para o corpo e arriou seus ombros como se um peso de toneladas recaíssem sobre eles.

- Não. O que matou sua esposa foi a corrupção.

Seu Henrique pareceu surpreso. Como um agricultor semianalfabeto poderia entender de corrupção? Muito menos imaginar que ela poderia matar? Provavelmente ele nem saberia pronunciar direito. Na cabeça dele certamente corrupção era aquela coisa que os políticos faziam. Mas, como a maioria, Seu Henrique também não se metia com política. Só na época da eleição. O olhar de incredulidade só fez aumentar.

- Não Dotô. Nem eu nem minha família tivemos com nenhum político desde a última eleição, quando eles apareceram lá na minha cidadezinha. Eu não me meto nessa tal de política, não.

- Entenda, Seu Henrique, no Brasil, a corrupção já se tornou uma epidemia. Sua mulher morreu porque não foi tratada como devia e no tempo certo. O câncer de mama tem mais de 90% de chances de cura quando é descoberto precocemente. Mas quando a sua mulher foi no posto de saúde da sua cidade, lá não tinha recursos porque os recursos da saúde foram destinados para fazer propaganda, assim como as verbas para o término da obra de construção do hospital.

- Mas a gente veio pra cá, pra cidade grande. E o quê que nós podemos fazer se o prefeito gastou o dinheiro?

- Vocês poderiam não ter votado nele nas 3 últimas eleições – o médico, visivelmente irritado, balançou os braços. Ele sabia do que estava falando porque nascera na mesma cidade de Seu Henrique. Veio morar com a tia na cidade grande logo depois de terminar o ensino fundamental e não voltou mais.

- Mas eu não votei, mas ele ganhou mesmo assim. Todo mundo na cidade tava com ele, eu não sei como.

- Porque eles eram laranjas dele. E quem fazia parte do esquema ou aceitava alguma coisa dele, é tão corrupto quanto ele.

- Mas Dotô, eu só quero agora ver a minha mulher. Como eu vou falar pras minhas filhas que a mãe delas morreu? O senhor tá me complicando a cabeça…

O médico viu que realmente era demais para o pobre homem, em um momento tão difícil, assimilar toda a carga de informações. Ele sempre ganhou laranjas de Seu Henrique quando criança, conhecia as filhas dele. Chegou a ficar apaixonado pela mais velha, Conceição. Mas teve que vir embora e deixar tudo para trás.

- Está bem, Seu Henrique. Vá, vá ver sua esposa. Logo ela será levada. Se precisar de ajuda me procure – o homem se afastou seguindo Seu Henrique com o olhar. Era triste de ver. Tinha escolhido cursar medicina para poder salvar a vida das pessoas, mas a realidade era bem outra. Ele achou uma cadeira vazia e se sentou, espremendo a cabeça entre os braços dobrados. O fato de conhecer aquele homem simplório e sua família tinha mexido com ele. Sabia daquela história, sabia de tudo por trás daquela história. Ele sabia, através das cartas de sua mãe que as verbas em sua cidade natal tinham sido aviltantemente sugadas, justamente as que não deveriam nunca serem roubadas: saúde, educação, merenda escolar, transporte… ele suspirou quando lembrou que Dona Josefa talvez ainda estivesse viva caso o transporte de pacientes para o hospital da capital estivesse funcionando, mas não estava. Todos os carros estavam quebrados e assim, as chances dela foram diminuindo.

Quando, enfim, ela conseguiu fazer os exames na capital e chegou ao triste diagnóstico, uma sucessão de acontecimentos acabou por matar a pobre mulher. O médico olhou para Seu Henrique segurando a mão da esposa na sala em frente. Lembrou das sessões de quimioterapia canceladas por quebra de equipamento, dos mamógrafos que não funcionaram, dos medicamentos que acabaram, das vagas de leito que não existiam. Dos exames que emperravam nessa droga de SISREG que só serve para propiciar a venda de vagas ou senhas para amigos de quem tem influência e as usa como moeda de troca sem que ninguém saiba ou veja. Ele passou as mão pelo rosto. Queria fugir dali, queria abrir a porta e sair na Suécia, na Dinamarca, na Noruega, ou em algum país onde essas coisas não aconteçam. Um lugar onde as pessoas reajam ao que está errado e não se corrompam também. Que não sejam omissas e protestem pelo que é certo.

De repente, ele parou de pensar. Não queria pensar, não queria lembrar. Não era aquela realidade que ele queria ver. A morte faz parte da vida de um médico, mas ele agora tinha que escolher quem deveria viver e quem deveria morrer porque era comum só ter um respirador bom enquanto três, quatro pessoas necessitavam disso.

Ver Dona Josefa morrer o fez lembrar de sua mãe, de seus avós e uma tristeza dilacerante o corroeu por dentro. Todo mundo roubava todo mundo e tudo. Via seus colegas de trabalho pegando o que não era deles porque todo mundo pegava, via médicos aceitando dinheiro de laboratórios para prescrever remédios que não eram bons. Outros cobrando pelo que, por certo, deveria ser público.

Gente simples como Dona Josefa, Seu Henrique, Conceição, sendo tragados nesse redemoinho de lama. Tudo girava em torno do quanto se podia ganhar, sem que a vida das pessoas fosse levada em conta. O refrão da música veio à sua mente: “que país é esse? Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado...” Levantou-se, bloqueando esse pensamento. Tinha que reagir, não havia solução. Foi até Seu Henrique e, colocando a mão em seu ombro o orientou a cuidar dos assuntos do funeral. Ele precisava falar com as filhas, agir as coisas. Vendo os olhos marejados de Seu Henrique, ele percebeu que sua cabeça latejava horrivelmente. Mas ainda faltavam quatro horas para o fim de seu plantão. Queria muito poder sair e levar Seu Henrique até sua cidade natal. Sentiu vontade de ver a família. Mas ele tinha uma missão a cumprir e assim o faria. Tentou convencer-se de que estava apenas tendo um dia ruim.

Viu Seu Henrique, cabisbaixo, seguir em direção à porta e voltou-se para olhar para Dona Josefa estirada, agora já na maca. Uma morte que poderia ter sido evitada se honestidade fosse o lema de todo mundo. Ainda existia gente honesta no Brasil, mas boa parte dos honestos se omitia, “porque eu não gosto de política”… mal sabiam eles que corrupção e desonestidade estavam, de forma epidêmica, corroendo todo o país, assim como o câncer que, não tratado a tempo, veio a matar Dona Josefa. Ele balançou a cabeça. Não queria pensar mais senão enlouqueceria.

Precisando desesperadamente de um café, foi em direção à sala dos médicos. Ainda tinha muito plantão pela frente. Quando chegou ao fim do corredor e preparava-se para virar à direita, viu muitas pessoas correndo em direção à porta que dava para o estacionamento do setor de emergência. Curioso, ele muda seu trajeto e vai na direção das pessoas que se aglomeravam na porta. Com um pouco de esforço ele consegue se desvencilhar das pessoas até chegar à frente de todos. Estupefato, ele percebe que tudo, tudo mesmo ao redor foi tragado por um gigantesco buraco negro. Não havia mais estacionamento, prédios, ruas, nada. Para onde se olhasse, a longas distâncias, tudo que se via no horizonte, era escuridão.