quinta-feira, 27 de abril de 2017

TEMER NÃO RIMA COM FUTURO



Feito às pressas mas eu precisava compartilhar isso porque #EuApoioAGreveGeral, quero um #BrasilLivre e sou totalmente #ForaTemer!

NUESTRODANIEL ARENAS 5000 LIKES




Mesmo sem estar postando, meu povo continuou curtindo a página e hoje ela ultrapassou 5000 likes.
Obrigada, meu povo! Recomendo que assistam em tela cheia.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

sábado, 15 de abril de 2017

PALAVRAS AO VENTO - PREFÁCIO



Esse é o início da leitura dos meus livros prontos. 
Voltei a escrever e pretendo colocar todos os meus textos em vídeo.

FALHA NOSSA 1




Nem tudo dá certo de primeira quando a gente vai fazer vídeo. E o resultado, é esse aí.

COOPERATIVA ECOSOL MARÇO DE 2017




Pra quem não sabe ainda, eu sou presidente da EcoSol Coopertativa e estou licenciada por problemas de saúde, mas nosso trabalho continua. REDUZIR, REUTILIZAR, RECICLAR SEMPRE.

ÀS FÃS DE NUESTRO DANIEL ARENAS



Pra quem anda perguntando sobre as postagens da página Nuestro Daniel Arenas e os vídeos que eu não fiz mais, eis aqui a explicação.

FORA TEMER VEM OBAMA




Já que podemos terceirizar, vamos terceirizar nosso odiado presidente não eleito.
Vamos chamar o Obama.

O HEMORIO AINDA É UM HOSPITAL MODELO DE EXCELÊNCIA?



Como a crise do governo do estado do Rio de Janeiro vem afetando a qualidade do atendimento do Hemorio.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

CAUSA DA MORTE: CORRUPÇÃO


Exercício para o Vlog do Escritor – Oficina de Contos 11 de Henry Bugalho

Tema – Corrupção


Causa da morte: corrupção


por Lucia Andrade


De longe ele observava o homem que olhava para o lençol que tinham acabado de jogar por sobre o corpo da mulher. Ali, parado, Seu Henrique não conseguia ter uma reação. Era como se ele estivesse congelado… parecia tudo distante. De repente uma centelha saltou dentro dele. Não, não era sonho, era um pesadelo. A mulher que acabara de falecer era a esposa de Seu Henrique, mãe de suas filhas. O médico olhou para o homem e para o corpo da mulher. Ela tinha sido a companheira de uma vida toda dele e agora estava lá, inanimada, debaixo daquele lençol encardido. Ele viu que o homem caminhava em sua direção.

- Dotô, foi o câncer? - o médico, aparentando uns 30 e poucos anos, olhou para Henrique e suspirou muito profundamente antes de responder. Depois olhou novamente para o corpo e arriou seus ombros como se um peso de toneladas recaíssem sobre eles.

- Não. O que matou sua esposa foi a corrupção.

Seu Henrique pareceu surpreso. Como um agricultor semianalfabeto poderia entender de corrupção? Muito menos imaginar que ela poderia matar? Provavelmente ele nem saberia pronunciar direito. Na cabeça dele certamente corrupção era aquela coisa que os políticos faziam. Mas, como a maioria, Seu Henrique também não se metia com política. Só na época da eleição. O olhar de incredulidade só fez aumentar.

- Não Dotô. Nem eu nem minha família tivemos com nenhum político desde a última eleição, quando eles apareceram lá na minha cidadezinha. Eu não me meto nessa tal de política, não.

- Entenda, Seu Henrique, no Brasil, a corrupção já se tornou uma epidemia. Sua mulher morreu porque não foi tratada como devia e no tempo certo. O câncer de mama tem mais de 90% de chances de cura quando é descoberto precocemente. Mas quando a sua mulher foi no posto de saúde da sua cidade, lá não tinha recursos porque os recursos da saúde foram destinados para fazer propaganda, assim como as verbas para o término da obra de construção do hospital.

- Mas a gente veio pra cá, pra cidade grande. E o quê que nós podemos fazer se o prefeito gastou o dinheiro?

- Vocês poderiam não ter votado nele nas 3 últimas eleições – o médico, visivelmente irritado, balançou os braços. Ele sabia do que estava falando porque nascera na mesma cidade de Seu Henrique. Veio morar com a tia na cidade grande logo depois de terminar o ensino fundamental e não voltou mais.

- Mas eu não votei, mas ele ganhou mesmo assim. Todo mundo na cidade tava com ele, eu não sei como.

- Porque eles eram laranjas dele. E quem fazia parte do esquema ou aceitava alguma coisa dele, é tão corrupto quanto ele.

- Mas Dotô, eu só quero agora ver a minha mulher. Como eu vou falar pras minhas filhas que a mãe delas morreu? O senhor tá me complicando a cabeça…

O médico viu que realmente era demais para o pobre homem, em um momento tão difícil, assimilar toda a carga de informações. Ele sempre ganhou laranjas de Seu Henrique quando criança, conhecia as filhas dele. Chegou a ficar apaixonado pela mais velha, Conceição. Mas teve que vir embora e deixar tudo para trás.

- Está bem, Seu Henrique. Vá, vá ver sua esposa. Logo ela será levada. Se precisar de ajuda me procure – o homem se afastou seguindo Seu Henrique com o olhar. Era triste de ver. Tinha escolhido cursar medicina para poder salvar a vida das pessoas, mas a realidade era bem outra. Ele achou uma cadeira vazia e se sentou, espremendo a cabeça entre os braços dobrados. O fato de conhecer aquele homem simplório e sua família tinha mexido com ele. Sabia daquela história, sabia de tudo por trás daquela história. Ele sabia, através das cartas de sua mãe que as verbas em sua cidade natal tinham sido aviltantemente sugadas, justamente as que não deveriam nunca serem roubadas: saúde, educação, merenda escolar, transporte… ele suspirou quando lembrou que Dona Josefa talvez ainda estivesse viva caso o transporte de pacientes para o hospital da capital estivesse funcionando, mas não estava. Todos os carros estavam quebrados e assim, as chances dela foram diminuindo.

Quando, enfim, ela conseguiu fazer os exames na capital e chegou ao triste diagnóstico, uma sucessão de acontecimentos acabou por matar a pobre mulher. O médico olhou para Seu Henrique segurando a mão da esposa na sala em frente. Lembrou das sessões de quimioterapia canceladas por quebra de equipamento, dos mamógrafos que não funcionaram, dos medicamentos que acabaram, das vagas de leito que não existiam. Dos exames que emperravam nessa droga de SISREG que só serve para propiciar a venda de vagas ou senhas para amigos de quem tem influência e as usa como moeda de troca sem que ninguém saiba ou veja. Ele passou as mão pelo rosto. Queria fugir dali, queria abrir a porta e sair na Suécia, na Dinamarca, na Noruega, ou em algum país onde essas coisas não aconteçam. Um lugar onde as pessoas reajam ao que está errado e não se corrompam também. Que não sejam omissas e protestem pelo que é certo.

De repente, ele parou de pensar. Não queria pensar, não queria lembrar. Não era aquela realidade que ele queria ver. A morte faz parte da vida de um médico, mas ele agora tinha que escolher quem deveria viver e quem deveria morrer porque era comum só ter um respirador bom enquanto três, quatro pessoas necessitavam disso.

Ver Dona Josefa morrer o fez lembrar de sua mãe, de seus avós e uma tristeza dilacerante o corroeu por dentro. Todo mundo roubava todo mundo e tudo. Via seus colegas de trabalho pegando o que não era deles porque todo mundo pegava, via médicos aceitando dinheiro de laboratórios para prescrever remédios que não eram bons. Outros cobrando pelo que, por certo, deveria ser público.

Gente simples como Dona Josefa, Seu Henrique, Conceição, sendo tragados nesse redemoinho de lama. Tudo girava em torno do quanto se podia ganhar, sem que a vida das pessoas fosse levada em conta. O refrão da música veio à sua mente: “que país é esse? Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado...” Levantou-se, bloqueando esse pensamento. Tinha que reagir, não havia solução. Foi até Seu Henrique e, colocando a mão em seu ombro o orientou a cuidar dos assuntos do funeral. Ele precisava falar com as filhas, agir as coisas. Vendo os olhos marejados de Seu Henrique, ele percebeu que sua cabeça latejava horrivelmente. Mas ainda faltavam quatro horas para o fim de seu plantão. Queria muito poder sair e levar Seu Henrique até sua cidade natal. Sentiu vontade de ver a família. Mas ele tinha uma missão a cumprir e assim o faria. Tentou convencer-se de que estava apenas tendo um dia ruim.

Viu Seu Henrique, cabisbaixo, seguir em direção à porta e voltou-se para olhar para Dona Josefa estirada, agora já na maca. Uma morte que poderia ter sido evitada se honestidade fosse o lema de todo mundo. Ainda existia gente honesta no Brasil, mas boa parte dos honestos se omitia, “porque eu não gosto de política”… mal sabiam eles que corrupção e desonestidade estavam, de forma epidêmica, corroendo todo o país, assim como o câncer que, não tratado a tempo, veio a matar Dona Josefa. Ele balançou a cabeça. Não queria pensar mais senão enlouqueceria.

Precisando desesperadamente de um café, foi em direção à sala dos médicos. Ainda tinha muito plantão pela frente. Quando chegou ao fim do corredor e preparava-se para virar à direita, viu muitas pessoas correndo em direção à porta que dava para o estacionamento do setor de emergência. Curioso, ele muda seu trajeto e vai na direção das pessoas que se aglomeravam na porta. Com um pouco de esforço ele consegue se desvencilhar das pessoas até chegar à frente de todos. Estupefato, ele percebe que tudo, tudo mesmo ao redor foi tragado por um gigantesco buraco negro. Não havia mais estacionamento, prédios, ruas, nada. Para onde se olhasse, a longas distâncias, tudo que se via no horizonte, era escuridão.