sábado, 13 de maio de 2017

FELIZ DIA DAS MÃES



Decidi lançar o vídeo hoje, para que nós mães possamos curtir e comemorar por mais tempo.

domingo, 7 de maio de 2017

QUEM TEM MEDO DA LUCIA MÁ?




Definitivamente eu não nasci pra ser boazinha. E isso tem suas vantagens. Ser livre, independente e verdadeira faz com que muitas pessoas te vejam como uma pessoa má. E não vale a pena se importar com isso. Siga em frente.

sábado, 6 de maio de 2017

BATALHA CAMPAL

Vlog do Escritor – Oficina de Contos 12 por Henry Bugalho

Tema – Infantil até 12 anos com uma protagonista feminina, sem ser princesa


Batalha campal


Na linha de frente estavam Nininha, Cycy, Ritinha e Dinha. Olhares mortais no rosto das quatro. Na linha de trás, as meninas menores, algumas ainda com os narizes cheios de meleca. Nininha, a mais velha de todas, a líder, do alto dos seus 10 anos, olhou ao redor. Sua turma aguentaria aquele desafio? Como ninguém havia arredado o pé, ela se aprumou e olhou dentro dos olhos do menino à sua frente.

- Nunca deixem homem nenhum bater em vocês. Se ele levantar a mão, peguem a primeira coisa que estiver por perto, acerta e corre – ela se lembrava das palavras da sua Mãe, desde que ela e a irmã Cycy eram muito miúdas. E agora era a hora de pôr em prática esses ensinamentos. O inimigo estava ali, na sua frente. Ela teria que defender seu território. E não podia ter medo. Aquela era a sua gangue. Perder significava perder tudo, abaixar a cabeça e engolir a derrota.

Desde que mudou para aquele lugar, perdido no meio do nada e longe de tudo, o único lugar para brincar era o campinho. Ali era o lugar do futebol, da pipa, do queimado, do pique tá, do pique pega. Aquele pedaço de chão era tudo. Sem ele, tudo era sem graça. Foi ali que ela e a irmã Cycy conheceram Ritinha e sua irmã Dinha. Ali a amizade foi ganhando forma, assim como a gangue. Toda tarde, menos quando chovia, e às vezes até quando chovia, se as mães não estivessem em casa, era dia de campinho.

Nenhuma das casas tinha televisão, e quando tinha, era de segunda mão e em preto e branco. Internet? Nem nos livros futuristas da escola existia algo parecido. Nem nas 20 Mil Léguas Submarinas. O mais futurista que aquela turminha conhecia era o Nacional Kid visto pela janela da casa da vizinha mais rica da rua, que também nem era tão rica assim. Mas ela tinha televisão e geladeira. Isso era coisa de gente muito rica.

A casa de Ritinha ficava um terreno baldio depois da casa de Nininha, ou vice-versa, e aí bastava um grito de lá ou de cá, pra que a turma se juntasse. Mas elas eram meninas más e gostavam de serem chamadas de gangue, em um tempo que isso era usado pra definir gente perigosa. E a julgar pela cara de Nininha, com seu olhar antipático, o título até pegou, menos para os meninos.

Antes da turma de Nininha se juntar, o campinho era território exclusivo dos meninos. Eles eram os donos do pedaço, mas… existia uma coisa chamada horário da escola e outra coisa chamada castigo. Zezinho era o chefe do bando, mas ele sempre estava metido em encrencas e daí, volta e meia ele ficava de castigo. E sem ele, o bando não se juntava. E sem ele, o campinho ficava vazio.

E foi de brecha em brecha que Nininha foi tomando conta do espaço e colhendo amigas. Ela gostava da rua. Serviço de casa? Nem pensar. Lavar prato? Pra quê? Ela ia viajar pelo mundo, igual a atriz da novela que ela viu pela janela da casa da vizinha rica. Ela ia ser atriz. Não. Ela queria ser médica. Como devia ser viajar de trem? Naquele dia ela pegou prato por prato que estava dentro da bacia da louça suja e jogou no mato, por sobre a cerca. Nunca mais iria lavar pratos. Só tinha um problema, sua Mãe iria chegar do trabalho e…

- Nininhaaaaaaaaaaaa! - A palmatória do seu Pai iria cantar. A outra ela tinha quebrado quando colocou um anel grosso no dedo, já sabendo que tinha feito arte das grandes. O grito na sua cabeça fez com que ela acordasse do sonho. Correu por debaixo da cerca de arame farpado, mas agora só havia cacos. Balançou a cabeça, derrotada, para, no momento seguinte:

- Ritinhaaaaaaaa! Traz a bola! - Já que a palmatória ia queimar sua mão de noite, então, pelo menos ela aproveitaria o resto do dia. E quando ela falava aproveitar era aproveitar mesmo. Pegar frutas no pé, sentar no campinho e comer até se fartar e depois, de cara suja de manga, de jaca ou de qualquer outra fruta, correr, suar até não poder mais. O dia passava que nem dava pra sentir.

Quando ela e os irmãos ficavam de castigo trancados dentro de casa, também era dia de farra. Tudo era motivo pra farra. Faziam cabana com as cobertas, picavam papel e fingiam que era dinheiro, imitavam os cantores nos programas de calouros. A escova de cabelo era o microfone. Nininha e Cycy pegavam as meias-calças da mãe e colocavam na cabeça pra fazer os cabelos longos e calçavam os sapatos de salto alto. Eram madames. A brincadeira corria solta até alguém se dar conta de que os pais estavam para chegar. Corre daqui, corre dali, se não ficasse tudo arrumado a tempo:

- Boa noite, palmatória!

Mas a terrível palmatória não era o bastante para estragar o dia seguinte. Depois da escola, havia sempre o amado campinho. E os momentos alegres no campinho sempre acabavam quando os meninos chegavam. Eles mandavam parar a brincadeira porque o campinho era deles. Quem disse? O campinho, porque era assim que todo mundo chamava, era de todos. O campinho, que na verdade era um grande descampado com um pouquinho de mato nas bordas, naquele dia, estava pegando fogo. A gangue de um lado e o bando do outro. Nininha contra Zezinho.

- Mira no meio das pernas e acerta – ouviu a voz de sua Mãe dentro da sua cabeça.

Era isso mesmo. Agora valia tudo. E ela, a futura médica, que viajaria o mundo, não ia correr daquele brutamontes de 12 anos, não. Se o chute no meio das penas não desse certo, ela apelaria para uma mordida no nariz ou na orelha. O sangue ia jorrar. Mas ela não tinha medo de sangue. Já tinha ajudado sua mãe enfermeira a costurar dedo semi decepado.

Antes que Zezinho percebesse, Nininha já estava com o pé na sua barriga. Errou por pouco. Essa foi a deixa para a gangue atacar. E foi um festival de puxão de cabelo, unhada, mordida, chute pra todo lado. Se pegou no lugar certo ninguém sabe, mas, muitas pedradas depois, muitos tiros de mamona depois, os meninos bateram em retirada.

Nininha se virou para ver como estava a tropa. Algumas com meleca seca esticada pela cara, algumas com olhos esbugalhados, a maioria com sangue na boca – que batalha inesquecível - e quase todas com os cabelos desgrenhados, menos a Ângela que tinha o cabelo sarará bem curtinho. Mas todas estavam sorrindo.

- Vitória!

A comemoração foi com manga carlotinha lambuzada pela cara. Ver os meninos irem embora de cabeça baixa, saber que agora elas teriam que ser respeitadas como donas daquele pedaço de céu. No meio dos seus pensamentos, Dinha se agacha com um montão de carlotinha na barra do vestido.

- Vocês viram a mulher que mora no buraco? - Existia uma lenda de que uma família morava debaixo do campinho e que ela descia por um buraco que se abria. Todos diziam ter visto, mas ninguém nunca descobria o tal buraco.

- Ela passou por aqui? Ela entrou no buraco?

- Passou, você não viu? - A conversa tava animada nesse rumo, até que…

- Oi, Jorge! - Jorge era o rapaz louro, bonito, de olhos verdes e cabelos compridos, e barba. Todas as meninas, de todas as idades, eram loucas por ele. E bastava o Jorge passar, que todas o cercavam. Nininha agora só conseguia se perguntar:

- Será que ele quer ser médico também?